A emoção que faz falta

Reparei que em meus últimos textos aqui no Bloguerreiro adotei um tom melancólico e triste pela situação do Cruzeiro.

Pois bem… vou me explicar melhor.

Tenho 20 anos e sou totalmente apaixonada por futebol desde pequenininha. Assisto a qualquer jogo que seja quando posso, principalmente quando estou em casa em Belo Horizonte, e já até me arrisquei a jogar o esporte.

Eu paro pra assistir a campeonatos juniores, séries A, B, C… jogos do XV de Piracicaba e uns campeonatos da Ásia sem problema nenhum. Sou totalmente viciada em futebol.

Em toda minha vida presenciei a família Perrella na presidência, onde desde 1991 o Cruzeiro cresceu mais ainda com títulos importantes. Lembro da minha primeira camisa que tinha algo do Cruzeiro: tinha 6 anos, o Cruzeiro havia sido campeão da Libertadores de 1997 e meu pai me deu uma camisa do piu-piu (amava ele!) com a camisa celeste.

Lembro quando o Cruzeiro foi campeão da Copa do Brasil em 2000e todas as brincadeiras que desencadearam em minha escola e aos 10 anos; chorei com a despedida do Sorín contra o Atlético-PR em uma reportagem que o Globo Esporte fez lendo trechos da carta dele e mostrando a imagem do argentino subindo a escada rolante do aeroporto. Chorei como criança e eu era ainda criança.

Em 2003, aos 12 anos, foi a primeira vez que meu pai teve coragem de me levar ao Mineirão. Pra quê né? Olha o ano que foi! Lembro exatamente de tudo e mais um pouco. Em 2004, fiquei muito chateada com a saída do Alex do time e colei em minha porta do armário uma reportagem que dizia algo como “Um adeus ou até logo” de um jornal sobre o último dia do Talento Azul na Toca e uma foto dele com uma jaqueta jeans, mandando um “tchau”, na esperança que um dia ele voltasse (Fui tirar essa matéria da minha porta apenas 3 anos depois…).

Minha mãe diz que não entende toda essa minha paixão, mas eu sempre respondo: “Mãe, você ia a pé ao Mineirão só pra assistir o Cruzeiro quando era solteira e meu pai que, como cruzeirense, teve coragem de ir à final do campeonato brasileiro de 1971 no Maracanã só pra assistir à um bom futebol?!”.

Gosto de futebol não é pra ser maria chuteira ou pra me exibir tendo assuntos para falar em mesas de trabalho. Gosto de futebol porque gosto, simples assim.

Sou eternamente e extremamente apaixonada pelo Cruzeiro, sou daquelas que vou a Toca só pra ver um treino e ignorar os jogadores para pedir autografo. Gosto de ver futebol e participar de toda sua essência: ser torcedora, gritar, comemorar, passar noites em claro, cornetar e organizar minha agenda de finais de semana para que fique vago o horário do jogo.

Sou daquelas que assiste a qualquer jogo que seja em busca de um bom futebol e não cansa de assistir aos VT das finais da Copa do Brasil de 1996, 2000, 2003, Libertadores de 97 e por aí vai.

Quando tive que mudar de cidade para estudar, não escondi de ninguém que uma das minhas maiores tristezas era não poder mais acompanhar de perto o Cruzeiro. Mas ainda assim, quando vou pra BH dou um jeitinho de ir à Arena.

Quando peço raça e falo coisas pedindo a melhora do time, não é da boca pra fora. É de uma torcedora que não liga se tal jogador é bonito, tem dinheiro pra comprar uma Mercedes, tira onda com mulheres, ganha salários extraordinários, é casado com uma atriz famosa, foi craque de um campeonato passado ou se um presidente liga mais pra carreira política do que com o clube… mas é de uma torcedora que pede para que apenas honrem um sentimento que é inexplicável para muita gente com o futebol.

Não é mais esporte, é guerra. Não se batem duas equipes, mas dois povos, duas nações, duas raças inimigas. Durante todo o tempo da luta, de quarenta a cinqüenta mil pessoas deliram em transe, extáticas, na ponta dos pés, coração aos pulos e nervos tensos como cordas de viola. Conforme corre o jogo, há pausas de silêncio absoluto na multidão suspensa, ou deflagrações violentíssimas de entusiasmo, que só a palavra delírio classifica. E gente pacífica, bondosa, incapaz de sentimentos exaltados, sai fora de si, torna-se capaz de cometer os mais horrorosos desatinos.

A luta de vinte e duas feras no campo transforma em feras os cinqüenta mil espectadores, possibilitando um enfraquecimento mútuo, num conflito horrendo, caso um incidente qualquer funda em corisco as eletricidades psíquicas acumuladas em cada indivíduo.

Monteiro Lobato, Os 22 de marajó, 1921.

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Uma resposta em “A emoção que faz falta

  1. Bela dissertação esta sua querida !!!! vc mostrou VERDADEIRAMENTE todo seu amor ao Manto Sagrado 5 estrelas !!!!!!!! Espero que esta chama de Guerreira NUNCA se apague !!!! Parabéns !!!

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