Ao Kalil e para muitos torcedores

Ah Kalil, você odeia o Cruzeiro? Vou lhe dar uma resposta à altura: vou chamar meu pai que é policial e vou mandar ele te prender, seu bobo feio e chato! Pronto, fim.

Na boa, sejamos adultos! O futebol está ficando cada vez mais ranzinza. E a maior parte disso é culpa dos torcedores! Sabem qual é a lógica do futebol? Esporte, saúde, lazer, entretenimento,  união, festa… Só coisa boa! Por que os torcedores estão tão chatos?

Quando um time como o Cruzeiro vai para o interior de Minas ou pros cantos do Brasil (como foi pro Acre a pouco tempo) a cidade se movimenta apenas para o jogo, entram no estádio torcedores de vários times, etnias, credos e esportes. É um futebol de gente chique na sua frente, sorrisos espalhados com placa de “Eu tô na Globo”, festa bonita nas arquibancadas de pessoas que às vezes nem sabem identificar quem está em campo, mas se divertem só porque todos gritam a mesma hora pela mesma coisa e vê em campo “celebridades” que se vê apenas na TV e se ouve falar no rádio.

Futebol deveria ser assim como festa em qualquer praça, não dependendo das escolhas dos outros. O principio do ser humano é ser humano, mas estão sendo apenas animais em uma luta pela sobrevivência.

Quando o Kalil lamentar a morte de um torcedor por esse motivo absurdo de escolhas, espero que ele lembre de sua postura como líder diante das câmeras. Essas “torcidas organizadas” só colocam em prática o que o dirigente diz. Como o Kalil, o torcedor deveria pensar antes de falar. O Kalil disse que “odeia” o Cruzeiro, pode ser a instituição, o time, mas o “ódio” é o que movimenta as coisas ruins. E ele não pensa na hora que alguém morre por coisas banais como esse ódio.

Eu não me simpatizo com o galinho também, mas eu não o “odeio”. Que graça teria futebol sem um rival? Se em Minas houvesse apenas o Cruzeiro como grande força, que graça teria? Claro que desejo que meu time seja o melhor, mas ser melhor entre medíocres é sem graça. Deixem as picuinhas de lado! A rivalidade tem que fazer parte do futebol, mas que fique apenas no futebol, apenas dentro de campo, aquelas quatro linhas de cal numa grama verde. Difícil entender isso ou preciso desenhar?

Fora do estádio não temos um caráter definido por ser atleticano ou cruzeirense. Mas caráter definido pela educação, pela família, por valores. Desculpe-me os saudosistas de nariz em pé que falam que morreria se algo acontecesse com seu time: nossa vida vale mais. Como deve estar as famílias dos palmeirenses que morreram essa semana? E a do cruzeirense assassinado em 2010? Será que eles estão se importando se terá jogo no final de semana???

Todos possuem parentes, amigos, pessoa as quais respeitam e que torcem por outro time, que pode até considerar que seja algo “inferior” em relação ao futebol, mas nunca será em relação ao ser humano. Você gostaria que um amigo seu ficasse desempregado só porque o time que torce não é o mesmo do chefe ou da empresa? E se a pessoa precisa do emprego e não tem opções de escolha? Pode se condenar o profissionalismo e o caráter de uma pessoa julgando apenas pelo time que torce? Você gostaria de ver um parente ser desrespeitado e até morto na rua porque veste uma camisa de outro time?

 O ser humano não se resume apenas ao futebol. Sejamos inteligentes.

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