Já sabemos por onde começar

O Cruzeiro não foi rebaixado, nem humilhado com goleadas históricas, mas se continuar do jeito que vinha, capaz disso poder acontecer. Mas a reformulação não acontece de um dia pro outro, é necessário tempo, o que me vem o exemplo de 2007.

Em 2007, tínhamos no comando Paulo Autuori, técnico que havia ganhado a Libertadores pelo Cruzeiro em 1997, mas que 10 anos depois, já não sabia mais modernizar o seu comando para aquele período.

Após perder de uma forma humilhante por 4×0 no primeiro jogo da final do campeonato mineiro, o técnico abandonou a barca e muitos torcedores pensavam que o time estava no fundo do poço. A diretoria buscou, após carimbar a faixa de campeão do adversário usando a base com um 2×0, um técnico até então desconhecido entre os grandes: Dorival Júnior. Dorival foi como um “desfribilador” para o Cruzeiro.

Após 2003, o clube vivia a sombras da Tríplice Coroa, achando que a qualquer momento seria mais fácil reconstituir aquele ano em um piscar de olhos. Mas Dorival foi um tratamento de choque no Cruzeiro, apostando em meninos da base (Guilherme), com desconhecidos (Ramires) e sendo atrevido (quase sempre colocava o time no 4-3-3), classificamos para a Libertadores. Mas o formato atrevido de jogar talvez tenha sido o que fez com que a diretoria não quisesse renovar com o Dorival, que era bem verdade que aquele time fazia muitos gols, mas levava também.

Então em 2008, o Cruzeiro quis apostar em um técnico jovem, mas que entendia a responsabilidade e respeitava o Cruzeiro: Adilson Batista.

Adilson chegou indicando três reforços com os quais ele trabalhou no Japão: Marquinhos Paraná, Henrique e Fabrício. Volantes, mas justamente no setor do meio campo que o time montado por Dorival Júnior precisava de maior apoio. Tirando o Fabrício, que era um pouco mais conhecido pela sua atuação no Corinthians, os outros dois não eram conhecidos pela torcida, nem pela imprensa.

Marquinhos Paraná e Henrique sofreram marcação cerrada da torcida e eram vaiados, vaiados e um pouco mais vaiados. Mas os resultados já apareciam.

Ramires também era vaiado pela torcida em 2007, diziam que o menino só corria em campo, fazia muita falta e mal sabia dar um passe direito. Mas em 2008, já virava artilheiro na Libertadores, já que o time, que jogava com 3 volantes, tinha um deles como “elemento surpresa que aparecia no ataque”. Culpa do técnico.

Em reportagem do superesportes de 2008, Ramires fala sobre a sua evolução pra “volante-artilheiro”:

“Venho treinando finalização. O Adílson coloca a bola perto do gol para eu finalizar. Ele falou que eu estou chegando bem. No ano passado eu também chegava bem, mas não estava finalizando bem. Estou trabalhando bastante a finalização e graças a Deus estou conseguindo ajudar o Cruzeiro”, disse Ramires.

Isso é treinamentoTodo mundo está se empenhando ao máximo nos treinamentos. O Adílson também vem fazendo um ótimo trabalho. O grupo todo está de parabéns”, destacou o jogador, que forma com Wágner e Jadílson uma boa opção de ataque do time celeste.

Leia mais: http://www.cruzeiro.org/noticia.php?id=31751#ixzz1uTwcTPbc

E assim se formou a base que enfrentou muitos e esteve entre os melhores da América por três anos. Sei que vice-campeonato não é ser campeão, mas de vice pra campeão depende de detalhes ou até questão de sorte, mas a questão aqui é que tínhamos um time forte.

Precisamos de um técnico como Dorival, não necessariamente o Dorival, mas que saiba olhar no Cruzeiro as falhas, tentar arrumá-las e saber usar o que tem de melhor disponível.

Não necessariamente precisa mudar um técnico como foi de Dorival pro Adilson, mas também precisamos de um técnico que após saber aproveitar o que tem de melhor disponível, saber onde estão as questões pontuais que necessitam de reforços e trabalhar junto com a diretoria.

Após formar uma base, saber defender suas convicções (principalmente contra ataques da imprensa) com fatos e trabalho, e caso não der certo, enfrentar, trabalhar e mudar.

Um time campeão não se faz da noite pro dia. O Luxa não fez 2003 apenas em 2003, mas a base foi construída em 2002.

Com a diretoria sabendo intermediar essa necessidade, resta a torcida ajudar e muito, pois o sócio torcedor é necessário nessa horas.

São questões óbvias, que o Cruzeiro já conheceu a fórmula, mas não são resultados que aparecem da noite para o dia. Mas já sabem por onde começar, né?!

AP Photo/Natacha Pisarenko

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