Sonho (não só) de criança.

Tenho que confessar que tenho um carinho a mais pela base celeste.

A partir dos meus 12 anos, eu comecei a jogar em equipes de esporte coletivo das escolas que estudei. Passei por futebol e por handebol, além de ter feito escolinha de vôlei,  isso tudo durante 7 anos. Certamente se eu fosse realmente boa (a gente tenta, né! =P), eu tentaria me profissionalizar em algum deles o que evitaria as minhas lágrimas quando fui obrigada a parar de jogar ao ter que ir pra faculdade e trabalhar ao mesmo tempo.

Surgiu uma oportunidade de um grande clube patrocinar meu time de handebol, mas não deu certo. O meu sonho era fazer o que eu gostava profissionalmente. Mas a vida acaba impondo outros caminhos.

A categoria de base para um clube é fundamental para a sua grandeza. “Cria” talentos a baixo custo e também uma renda relativa na venda dos mesmos, mesmo quando não podem ser aproveitados pela equipe profissional.

Mas quando não trabalhada corretamente, pode gerar desperdício de dinheiro com a perda do capital investido, exposição da marca do clube negativamente e descuido também na formação de seres humanos.

Os meninos que estão na base esperam reconhecimento e alcançar um sonho deles também: ser jogador de futebol profissional. Mas de tantos que passam em muitas categorias de base, pouquíssimos são realmente aproveitados em grandes clubes.

Revista do Cruzeiro – Edição 76 – 2004

Fazendo as contas, um jogador profissional tem “vida útil profissional” (tipo um tempo médio que penso que um bom jogador seria aproveitado em grandes clubes) por mais ou menos 12 anos e na base temos milhares de crianças que entram para os clubes a cada ano. Como se pegássemos o Fábio, que completa cerca de 5 anos no gol cruzeirense e ver que, durante esse tempo, muitos bons goleiros cruzeirenses passaram pela base: Rafael, Douglas Silva, Douglas Borges, Gabriel… São muitos jogadores pra poucas vagas.

Mas, conversando com um dos garotos da base celeste, percebi que uma das maiores insatisfações não é só a falta de aproveitamento no time profissional, mas a falta de oportunidade concreta para que sejam observados pela comissão técnica do profissional, e acabam preferindo seguir carreira em outros lugares.

Diziam que este ano iria melhorar esse processo de transição no Cruzeiro, mas, por enquanto, a novidade foi o maior número de jogos treino contra o time reserva do Cruzeiro. Mas como diz os meninos, a qualidade técnica do time reserva do Cruzeiro é maior do que o time júnior, quando se trata do grupo em geral. Mesmo tendo talentos bons individuais, em um esporte coletivo, dependem também dos outros para mostrar o que realmente sabem. Já que jogando contra uma equipe superior não conseguem manter a bola no chão ou ficar com ela mais tempo, não podem mostrar o que sabem. Então seria melhor treinar com eles, não apenas jogar contra eles.

Eu penso que os jogos-treino poderiam continuar com todo o grupo, mas os talentos individuais escolhidos diretamente pela diretoria da base deveriam ser escolhidos para treinar até duas semanas com o profissional tendo duas consequências finais: ou é integrado ao time profissional ou não, sendo que voltaria para a base sabendo aonde deveria se empenhar melhor. Será que seria possível?

Revista do Cruzeiro – nº 21 – Dez/97 | Quem diria qual gol ele faria em 2000?

Conversando com o Alexandre Mattos, entendi também alguns pontos de quem administra isso tudo.

Não podemos generalizar o pensamento dos garotos, mas há garotos que possuem diferentes motivações e influências. Alguns reclamam da falta de oportunidade e outros, quando ganham destaque, acabam achando que será um novo “Neymar” e acabam complicando muito. Não me referindo apenas ao valor contratual, mas são também influenciados pela vontade de jogar fora daqui, como o “sonho europeu de consumo” que a maioria dos jogadores brasileiros possui.

A nova diretoria herdou um fardo pesado ao assumir o Cruzeiro depois da passagem do Dimas Fonseca. Ainda não deu tempo para julgá-los em relação à base: houve troca de técnico, o Cruzeiro foi mal nos campeonatos e os próprios meninos fizeram uma excursão pela Europa enquanto o novo técnico chegava.

Mas, como o Alexandre afirmou quando o questionei, as projeções para o futuro são melhores que as atuais, que as coisas estão mudando e muito, mas que leva tempo e que precisamos que o profissional se equilibre para subirmos os garotos que realmente possuem qualidade. Temos que dar tempo ao tempo e não passar o carro na frente dos bois, lembrando também de não dormir no ponto.

Quando a torcida julga a agilidade da diretoria ou o caráter dos meninos da base, temos que entender que ambos possuem o mesmo objetivo: revelar talentos. Vamos procurar entender os dois lados da situação para não pressionar negativamente nenhum lado.

Não se precipitem querendo a cabeça de alguém do clube ou “fechar a Toca I”. Tentar entender a situação por todos os lados seria uma boa, né? Como eu já disse: paciência, novos ventos soprarão na(s) Toca(s).

Siga a bloguerreira no twitter: @LucianaBois

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