45.011 Guerreiros

Hoje eu tive um sonho muito… nem tenho palavras ainda pra descrever que até agora não entendi.

Já sonhei que pulei de um abismo, que um avião tinha batido no meu prédio e a turbina agarrou no meu quarto (quando acordei, percebi que o barulho da turbina estava lá e me deu medo. Depois fui ver que era o ventilador), já sonhei com viagens para Siena, Japão, África do Sul… Então.. voltando ao assunto: hoje meu sonho merece ser escrito.

Viajei para o dia do clássico. A cidade acordou diferente. O céu estava mais azul que o normal e apenas uma parte da cidade estava feliz, a outra tinha raiva.

Era meio dia e os carros começaram a sair de casa indo pra região da Pampulha. Já havia um grande congestionamento no Anel Rodoviário, mas não se ouvia nada. Todos olhavam pra frente, sérios. Vestidos de azul, mas sem ver o outro azul ao lado.

Chegando na Pampulha, muitos se direcionavam à Toca da Raposa II e outros se acumulavam em frente ao Mineirão.

A esplanada vivia um mar azul. Mas todos ainda sérios.

Mal se ouvia conversas, nem cerveja se bebia direito. Havia apenas latinhas amassadas jogadas na rua. Talvez quisessem beber, mas a raiva fez com que a latinha fosse amassada, não ingerida.

Na esplanada no Mineirão se ouvia murmúrios e parava por ai. Em vários cantos pessoas se acumulavam. Como frotas que se preparam para se juntar em uma batalha. Havia potes de tinta guache e pintavam o rosto com duas linhas.

– Pronto pra guerra? – Dizia o pai para o filho.

As vozes começavam a aparecer, não em bom tom, mas em alto tom pra cima daqueles que riam e vestiam preto e branco. Mal sabiam que aquela era o traje pro luto que viria a seguir.

Quando entramos no estádio, era silêncio absoluto por um lado e festa lá embaixo.

De repente, o silêncio foi parado. Lá de fora ouvia um canto, forte como nunca tivesse sido ouvido no Mineirão, mas ainda não era no Mineirão, ela lá fora.

Passou 50 minutos e se ouvia festa apenas na parte que daqui a pouco estaria de luto. E então entra o árbitro. Na parte silenciosa, se ouvia o barulho das cadeiras voltando ao lugar, todos se levantavam, quase para bater continência ao árbitro, mas não… estavam a espera do que ia vir.

De repente, subiram correndo 11 jogadores de um lado e outros 11 guerreiros do outro. Os jogadores eram sorrisos e iam até à sua pequena torcida para ser saudados e até receber a veneração daqueles de preto. Tolos…

A parte azul começava a entoar um canto que repetia, repetia, repetia… e a cada vez, ficava bem mais alto. Os guerreiros se posicionavam com a cabeça erguida e olhar para frente, encarando sem encarar. Concentrando.

Todos a posto.

Frio na barriga.

Juiz apita.

E eis que todos viram testemunha de uma coisa estrondosa.

Parecia guerra. Era guerra.

Como em filmes de guerra medieval, aquelas caras com cara raivosa em campo – os guerreiros – encaravam os jogadores como se não tivessem dó e apertavam os olhos mirando no objetivo. A veia pulsava mais forte. Sabíamos que o mar azul era maior, mas lá fora, éramos desprezados.

E alguém na arquibancada gritou. Puxou todo o ar e gritou.

“Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh”

Era o sinal. Em outra língua, era o sinal de atacar.

E 45.000 pessoas seguiram o grito.

Era tão estrondoso, que o concreto balançava. Os que estavam de preto, dentro e fora do campo, sentiam medo e reconheciam a cor de luto. Estavam indefesos no meio de uma guerra defendendo uma meta. E todos os 45.011 guerreiros foram pra cima.

05:50. Meu despertador tocou.

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