Sobre Clara Bois

Louca por esporte, prefiro jogar bola do que ir à manicure. É prima da Luciana.

O futebol não aceita taxações

O futebol é uma das coisas mais lindas do mundo. E uma das mais ingratas também. Nem vou me alongar justificando por que ele é lindo – se você decidiu ler esse post, provavelmente também adora perder seu tempo com a coisa mais importante de todas as coisas desimportantes do mundo. Mas basta dizer que a natureza incerta do jogo e seus resultados inesperados são uma atração irresistível. Só que essa mesma beleza incerta faz do futebol um esporte ingrato. É ingrato porque jogar melhor que o adversário, ter mais qualidade técnica e mais volume de jogo, não é garantia de vitória. E pior, se cochilar, ele também te castiga.

Das equipes brasileiras apontadas como favoritas nesta Libertadores, o Cruzeiro foi a que mais teve dificuldade para se classificar na fase de grupos. Contra Real Garcilaso (no primeiro jogo) e Defensor (nos dois jogos), o time esbarrou nos próprios limites e – especialmente no caso do Defensor – não soube reconhecer as virtudes do adversário. A classificação que parecia natural na primeira rodada, tornou-se dramática na quinta e teve ares de fim de festa na última.

Toda essa epopeia, entretanto, mostrou que a equipe tem muita gana e capacidade de reação. No primeiro jogo contra o Cerro Porteño, no Mineirão, levamos um gol imbecil (aquele ingrato do futebol castigando de novo) e tivemos dificuldades para manter a posse de bola em alguns momentos. Contudo, também soubemos recuperar a bola, chutar a gol, fazer confusão na área e igualmente castigar o Cerro com um gol no último minuto.

No jogo de volta no Paraguai, mais tropeços e recuperação. A defesa celeste não sabia lidar com a marcação pressão do adversário e ia recuando a bola até o Fábio que depois a isolava no campo adversário. Isso quando algum dos irmãos Romero, em geral Angel, não roubava a bola no meio e deixava dois cruzeirenses no chão antes de sofrer a falta perto da grande área. Oportunidade para fazer gol o Cerro teve. Não fez. E aí o futebol castigou. Porque no segundo tempo o Cruzeiro foi melhor e chegou ao gol, apesar da expulsão do Bruno Rodrigo.

Não dá para dizer que a classificação do Cruzeiro foi uma surpresa – surpreendente é ter um time boliviano nas quartas de final. Como bicampeão da Copa, atual campeão brasileiro e equipe mais cara da Libertadores nesta edição, seremos sempre apontados como favoritos antes de a bola rolar. Bola rolando em mata-mata, entretanto, o favoritismo desaparece. A natureza incerta do futebol não aceita taxações. A única certeza é a de que podemos nos preparar para jogos absolutamente imperdíveis.

Clara Bois