As novas ‘espécies’ de torcedor

A cultura da reclamação sem limites e sem resultados, e da especulação sem fundamento parecem ser a voz de grande parte dos torcedores nesta época do ano. A velha máxima de que ‘todo brasileiro é metido a entender de futebol’, é perpetuada dia após dia, a cada cidadão autêntico nascido nessas terras.

Menino já sabe desde cedo do que gosta. Quer bola de capota e camisa com escudo. Quer que o time ganhe pra zoar os colegas no colégio. Quer ser boleiro, mas se não nasceu com o talento, aprende todas as regras e deseja se tornar jornalista esportivo. Pratica narrando futebol de botão, sinuca, totó. Todo pai, tio, primo e irmão mais velho sabe como guri é chato. Mas quem sabe um dia o moleque cresce, e aparece?

Talvez Gigliotti, José Silvério, João Saldanha, Osmar Santos, Sílvio Luiz, Fernando Sasso, Milton Leite e tantos outros sejam frutos da insistência. O que acontece, porém, quando a pessoa AMA futebol e nele não se realiza profissionalmente, nem dentro nem fora do campo? Ou adquire para si um clube de futebol, ou assume a postura de torcedor, certo? Pois é aí que nos enquadramos e que tudo tem começado a ficar irritante.

Futebol é paixão, uma catarse. É preciso ir ao estádio, entoar o grito de guerra, sentir a vibração dos iguais, torcer. A alma sai coarada, tinindo de tão alva, os sapos engolidos são digeridos em 90 minutos. Juiz, atacantes, o técnico: a mãe ‘imaginária’ de todos eles usufrui experimenta momentos irracionais. E assim vamos o Campeonato inteiro. Analisando, criticando, comemorando, reclamando… OPA, reclamando!

Reclamar! Culturalmente brasileiro só reclama em casa, nem sabe o que é Procon. Fala mal do governo, dos preços abusivos, do vizinho, da vida alheia, mas só em casa. Ah, e reclama de votar. E agora o torcedor de futebol tem feito o mesmo. Pré- temporada, o adversário contrata e o seu Clube não, e ele começa a reclamar aonde? Na internet, ‘a sua casa’. Desde o momento em que acorda até quando vai se deitar.

É o novo fenômeno virtual: o ‘torcedor-chorão’ e o ‘torcedor bola de cristal’. O primeiro se lamuria e o outro ‘planta’ contratações. Sabe tudo. Mais que os jornalistas que estão acompanhando o dia a dia do Clube. Ele tem ‘contatos’ que lhe passam informações em primeira mão, tem blogs. Imagino que o objetivo do mesmo seja ter 15 minutos de fama em algum veículo de comunicação, ou quem sabe ser contratado, já que para ser jornalista nem precisa estudar mais, não é? E os demais torcedores repetem o que eles dizem, infinitamente, num eco sem fim. E quanto aos jornais e veículos de informação oficiais/profissionais? Perderam a serventia. Viva os juvenis, os chutes, o amadorismo! Brasileiro gosta mesmo é de fofoca.

A lição que fica é que o Futebol era para ser divertido. Somos torcedores, lembram-se? O interessante é que esse é só mais um sinal de que as pessoas não se importam com ‘os ecos de suas atitudes’ e se tornaram inconvenientes e espaçosas. Seja pela curiosidade, pela pretensão em ‘acertar seus chutes’, pela insatisfação com o Presidente do Clube (que sequer sabe o que acontece na rede) ou por não saber o que fazer das suas tão merecidas férias.

Ah, o ócio criativo. Feliz de quem sabe o que é.

Lílian

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Br’10 – 32ª rodada

Pós-jogo

E o futebol do campeão está de volta!

Mesmo que seja cedo para dizer isso, mas não ressuscitar defunto já é um grande passo! Essa coisa de perder só pra time pequeno não pode constar no curriculo de quem quer ser campeão! Aqui é Cruzeiro Esporte Clube, como disse a Lílian “Se somos temidos por toda a América, por que não vamos nos impor por aqui?”

Gostei da formação que o Cuca mandou em campo. Sempre defendi (e o Cuca também, viu senhor Jaeci Carvalho!) que o Gilberto tem que ser titular nesse time, pelo simples fato que ele sabe tanto armar quanto marcar. Os outros jogadores que são colocados na posição não conseguem desenvolver bem as duas funções, como Everton ou Paraná.

Mas voltando ao jogo, os 3 pontos foram marcados por fatos raros: gol do Robert e golaço do Léo, o qual defendo a sua titularidade ao lado do Caçapa.

Temos que nos apegar a fatos raros, sorte e ao bom futebol nessa reta final, que essa taça será nossa!

Luciana

 

Cruzeiro x Grêmio Prudente - Prudentão - 18h30min - 30/10/2010

 

Pré-jogo

E agora a vitória vem em forma de ultimato: ou vence, ou vence. E é complicado saber que o único traje que cairá bem no manequim é a vitória. Não dá pra fazer emendas, remendos, apertos. Nesse momento, pouco importa o adversário. É preciso ousadia, mentalidade de campeão. É preciso egoísmo, pensar grande. Não ganhamos nada (ainda), mas não venceremos Campeonato algum se o Cruzeiro não se nutrir de luta, e jogar cada partida como se não houvesse amanhã. Atropelos e tropeços? Já fazem parte do passado. Nas sete rodadas que faltam não é possível ter prudência. Não é permitido ter cautela, tropeçar para depois ficar fazendo contas. Somos capazes! E determinação é nossa maior marca.

Se somos temidos por toda a América, por que não vamos nos impor por aqui?

Sai da nossa frente, Prudente, que o Maior de Minas não tem tempo a perder. Se você nasceu para pedra, a gente chuta.

Avante Cruzeiro, contra tudo, todos e mais alguns. A turma do contra está crescendo, e esses o Cruzeiro cala com títulos!

Provável Cruzeiro: Fábio, Rômulo, Léo, Edcarlos e Paraná; Henrique, Fabrício, Gilberto e Montillo; Robert e Thiago Ribeiro.

Lílian

O futebol mudou ou fui eu que não mudei? (Por @lilianfmoreira)

Quando meu pai fazia estágio comigo para ser pai de um menino que só chegou anos depois (e já nasceu com cinco estrelas no peito) e me incutia pelo mundo do futebol, ele se preocupava em me explicar regras fundamentais tais como:

(i) futebol se joga com 11 jogadores em cada equipe; (ii)  dentro de quatro linhas; (iii) gol é quando a bola entra na meta do time adversário; (iv) pênalti é infração marcada pelo adversário dentro da pequena área; (v) os técnicos são os responsáveis por armar as equipes e definir seus esquemas táticos, fazer alterações, ressuscitar a equipe e até mesmo perder o jogo; (vi) impedimento é algo muito complexo para uma garotinha de 6 anos aprender, mas aos 7 anos de idade ela já consegue dominar a regra; (vii) o juiz e os bandeirinhas devem ser meros coadjuvantes da partida e nunca devem aparecer mais que os jogadores, nem interferir em seu resultado. Estranho! Será que meu pai se enganou nessa última lição ou é o mundo que está de ponta cabeça passados menos de vinte anos desde a minha iniciação no mundo do futebol?

Nesse meio tempo, o meu amor e entusiasmo pelo maior de Minas só fez aumentar numa progressão geométrica: vestir o manto celeste é natural, ver nossos guerreiros jogarem é trivial, me arrepiar com cada gol e jogada espetacular é o mesmo que sentir o cegar do brilho intenso da nossa constelação. Defender nossas cores numa resenha com adversários sem argumentos já nem é mais questão de honra: é diversão. O que mudou nesse tempo todo é que outrora se o árbitro errava, era porque o lance era maculado por um jogador que lhe encobria a visão ou pelo seu mau posicionamento em campo, pela rapidez das jogadas de atletas muito velozes, por campos extremamente ruins, por auxiliares despreparados, por seu péssimo preparo físico. Sim meus amigos, eu fiz parte do tempo em que se podia atribuir grande parte dos erros às falhas humanas e ainda era possível acreditar em pessoas escrupulosas no futebol. Tempo este em que o melhor time jogaria o futebol no campo, realizaria as melhores jogadas ou mesmo aproveitaria as falhas do adversário e marcaria gols e venceria a partida: simples assim! Não havia o famoso “tapetão!”. Não era necessário recorrer à Justiça Desportiva para conseguir o reparo de um dano, porque o dano não existia de fato. Sou do tempo, e nem sou uma anciã, em que raramente um jogador se exaltava a ponto de mandar um árbitro para a casa da mãe Joana, e como resultado recebia um efeito suspensivo de quatro partidas. Por outro lado, eu nem ouvia falar de um juiz que confiscara 2 pontos (na verdade a gula dele era por três!) e sai ileso no final da fatura. Não sou do tempo da censura, mas é incrível como o Estatuto do Torcedor foi criado no momento certo. Um país que fantasia a solução da fome e do desemprego com bolsas e não se preocupa com seus tributos, se preocupa sobremaneira em regimentar as palavras que saem da boca de quem vai a um estádio torcer porque o “mundo estará de olho estará em nós em 2014”. Até parece que só brasileiro pronuncia palavras de baixo calão. Quanta falta do que fazer! Reprimendas à base da ameaças. Coisas do Brasil!

Não, eu não sou do tempo que se mata bola na pequena área com o braço e não se marca pênalti; que a bola não sai e o gol é anulado; que falta fora da grande área é pênalti…  Perguntei aos mais entendidos se as regras mudaram e me disseram que não. A interpretação delas ainda continua objetiva. Só posso acreditar que esse ano o Campeonato Brasileiro terá dois Campeões: um Real e um Moral: a CBF jamais dirá que sim, mas o resto do Brasil, inclusive a imprensa está estudando o caso. O Campeão Moral ainda irá disputar o restante das rodadas jogando o futebol em campo, disputando ponto a ponto, rodada a rodada, obedecendo todas as regras que nós conhecemos e aprendemos com os nos estimularam a gostar de futebol (valeu pai!). O Campeão Moral não irá ganhar nada, nem taça, nem faixas, somente o reconhecimento por jogar futebol na raça, na garra, encher nossos olhos, nos deixar com o corpo arrepiado, o coração em disparada, e as quartas-feiras e Domingos salvos do tédio. O Cruzeiro está no páreo nessa disputa e segue firme mostrando aos adversários como se joga futebol. Por outro lado, o Campeão Real me parece já ter sido escolhido e está sendo escoltado por juízes e dirigentes. A entrega da taça para este é questão de tempo.

BR’10 – 23ª rodada

Cruzeiro x Botafogo - Engenhão - 18hrs30min - 18/09/2010

Glorioso? A glória está em ser vitorioso! (Por @lilianfmoreira)

Quem tem cinco estrelas no peito, no céu e milhões de guerreiros empurrando o time mundo afora não está só. O maior de Minas, destemido e temido no Brasil respeita o adversário, mas já não se importa com velhos paradigmas, nem com a imposição de novos. Nunca vencemos no Engenhão? A CBF escalou novamente Héber Roberto para apitar o jogo? Sem problemas! O espírito para o Brasileirão 2010 é jogar contra si mesmo, contra todos os adversários e contra todo o resto. Hoje o Cruzeiro se prepara mais a batalha entre os grandes: o Botafogo! Pasmem, esse ano o Glorioso é grande e a Raposa está pronta para não deixar avançar aqueles “que prometem nos parar e nos deixar estáticos diante da imponência da maior”. Empáfia? Não, isso é medo. Cinco estrelas brilham mais que uma, e onze guerreiros empurrados por uma nação de alma celeste não fogem á luta. Problemas têm os outros times, nós somos a solução! Vamos Cruzeiro, mostrar quem tem estrela por aqui. Uma constelação!

Provável time: Fábio; Jonathan, Léo, Edcarlos e Diego Renan; Henrique, Fabrício, Everton e Montillo; Farías e Thiago Ribeiro