Com raça, mas e a vitória?

Publicado por  em qui, 16/08/2012 em Crônicas

Design Guilherme Prates

Por Luciana Bois

futebol é uma caixinha de surpresas, mas depois que acontece, é quase uma coisa exata, mesmo que às vezes apelamos para o “falta de sorte”.

Ontem, no jogo contra o Fluminense, tudo podia acontecer, como sempre é no futebol. Enfrentaríamos o então vice-líder do Brasileiro, que se perdesse, ficaria mais longe da ponta e se o Cruzeiro vencesse, permitiria o afastamento do atual campeão que é o seu rival.

Mas como a maioria inteligente da torcida queria, o Cruzeiro buscou a vitória, teve raça como a muitos jogos não víamos e o time se entregou em campo.

Entretanto, como dizem os pessimistas de plantão: “preferia ter jogado mal e vencido, como foi contra o Bahia, a ter jogado bem e só empatado contra o Fluminense, mesmo jogando bem”. Ok, meus caros pessimistas. Vocês tem o direito de pensar como quiserem, mas uma coisa é exata: se o Cruzeiro tivesse jogado contra o Fluminense como jogou contra o Bahia, teríamos levado uma sacolada em casa.

A ciência exata para o resultado do Cruzeiro, mesmo jogando bem e tendo empatado é simples: empatou porque o Fluminense tem melhor qualidade técnica e ponto final.

O grupo do Fluminense é formado por grandes nomes e uma grande folha salarial. O Cruzeiro vem sendo montado durante o campeonato, mesmo com bons nomes, ainda fica bem aquém do grupo do Fluminense. Às vezes, raça apenas não é o suficiente, mas ela ajuda muito quando a qualidade técnica não existe, resultando o que vimos no que deu ontem.

Se estou satisfeita com o resultado de ontem? Claro! Melhor seria só com a vitória mesmo (óbvio), mas a raça que não vinha mostrando antes muda todo o panorama até então.

Vocês se lembram que o Cruzeiro é freguês do Fluminense nos últimos anos? Desde 2004, temos 28,07% contra os cariocas, com 11 derrotas, 4 empates e 4 vitórias. O time descrente como estava empatando com um carrasco? Repito: melhor só a vitória.

Enfatizo que não fico satisfeita com o empate, queria a vitória, mas satisfeita pelo que apresentamos que não víamos mais. Falta pouco pra entrar em forma, o pouco pode ser 2 jogos, ou 10 jogos, mas o importante é ver que ontem deu pra perceber que ainda entraremos em forma.

Mas precisamos qualificar o nosso lado técnico. Muitos – inclusive eu – ficaram irritados com o extremo cai-cai do WP, mas pra ele sair, deveria entrar alguém melhor, assim como com o Fabinho. Muitos pediram o Wallyson, já eu queria… não sabia o que queria. Deu no que deu.

Com o Everton tenho o mesmo pensamento. Se ele saísse, quem entraria no lugar dele?

As falhas ontem foram inevitáveis pela qualidade técnica que falta ao elenco, mas ao menos raça e entrega não faltou. Agora outra pergunta: o que podemos pedir a mais no momento?

A qualidade técnica só vem com grandes reforços. Qual lateral podemos buscar? Se o Borges machucar mais vezes, quem pode contratar pra deixar o ataque em um bom nível?

Lembrando como está o caixa do clube e os jogadores disponíveis no mercado, cabe à diretoria quebrar a cabeça nessas horas e à torcida cornetar menos para apoiar mais.

E é, como sem dinheiro fica difícil fazer as coisas, a torcida bem que podia aderir mais ao sócio do futebol, não?

Mas que o Cruzeiro continue assim! Ao infinito e além!

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O exemplo olímpico para o futebol

Publicado por  em sex, 03/08/2012 em CrônicasGeral

Não escondo de ninguém que sou apaixonada por esportes, que pratiquei por dois anos futebol (lateral direita com toda a minha “gordura e força”, acreditem se quiser =P), um ano de vôlei e quatro anos no handebol.

Foto: Jonne Roriz / AE

Nessa época de olimpíadas e reparando a participação do Brasil diante outras potências, vejo o quanto o Brasil e o brasileiro precisa mudar a cultura esportiva. Os outros esportes precisam do investimento que o futebol recebe, assim como o futebol precisa também do espírito esportivo das outras modalidades.

No handebol não encontramos cai-cai, no rugby não vemos chinelinhos, no vôlei, se reclamar com o juiz em tom alto sem ser ocapitão, é punido com um amarelo e ponto para o adversário.

E no futebol? O cabelo de um importa mais que o gol do outro; a comemoração do gol merece reportagem especial, não as habilidades em campo; as reclamações da reserva são feitas no facebook pra atrair mídia; uma falta é ganha no grito e por pressão do time da casa, não pela autoridade do juiz; o coletivo as vezes fica prejudicado por combate de egos, não unido pela vontade de vencer…

Sério! Eu sei que muitos reclamam de concentrações, que “recebem pouco” pra dois jogos por semana, que 30 dias de férias por ano é pouco, mas… ow! Precisamos que esses jogadores vejam o mundo real aqui fora!

Ver que o César Cielo só é lembrado de 4 em 4 anos e ainda por 22 segundos! Que o handebol só dá orgulho de 4 em 4 anos porque surpreende por ser “tão bom assim”, que o judô nos trás as únicas medalhas, mas que daqui a dois meses poucos se lembram do nome dos mesmos que fizeram muitos cantar o Hino Nacional em casa! Que milhões repetem em casa “nossa, eu corro só 8 km/h na esteira e ele correndo esse tempo todo à 20 km/h na rua debaixo de chuva…”.

Já me argumentaram que muitos jogadores passam a vida em categorias de base, treinando exaustivamente e os melhores merecem sim esse reconhecimento. Mas convenhamos, reconhecimento é diferente de bajulação e acomodação. Imaginem o tempo que o Thiago Pereira se dedicou em uma piscina desde novinho pra estar competindo uma final olímpica onde um erro na virada joga quase tudo abaixo?

Foto: Agência Getty Images

Quando a torcida pede “raça” para o time, não é um grito de praxe não. É a vontade de ver alguém com vontade de fazer tudo que possa fazer. Correr atrás e fazer valer a pena todos os milhões que param a sua vida por 90 minutos pra prestar atenção naqueles que ali estão.

Precisamos de atletas que transpirem mais, que façam cara feia quando levantam um peso, que vá pra “final” com luxação no braço, que olhem pra trás e vejam o quanto conquistaram dedicando cada minuto de um jogo por tudo que enfrentou para chegar até ali. Precisamos mais de atletas que se emocionem ao ver o seu nome no placar, que esperem o resultado de uma apelação por uma hora no local da luta e chorem na frente de todo mundo por injustiça. Precisamos de mais jogadores que façam gols incríveis e corra pra um cinegrafista perguntando se “filmou aquilo” do que jogadores que fazem teatro simulando um pênalti. Que queiram se vingar de uma reserva ou de uma derrota comendo grama nos treinamentos e no jogo seguinte.

Aqueles que perdem por uma cesta de 3 pontos nos últimos segundos nas olimpíadas que são super homens e que, mesmo com pouca ajuda e quase nenhum reconhecimento, conseguem ao menos 2 minutos de atenção do mundo inteiro e ser símbolo de patriotismo de uma nação inteira.

Acham que ganham pouco? Que não merece a reserva já que fez alguns gols? Como diria minha mãe, falta mais agradecimento e vergonha na cara!

Podemos ter poucas medalhas, mas por tudo, valem mais que muitos títulos e rótulos do futebol.

Luciana Bois deixa claro que não está generalizando, mas deseja a mudança da postura de muitos.

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Cau-te-la

Publicado por  em sex, 20/07/2012 em Crônicas,GeralPublicações

É amigos, estamos vivendo um momento em que é importante a palavra chave do querido Juarez Roth: CAU-TE-LA.

Eu sei que a torcida é sempre 8 ou 80: 8 pras derrotas e 80 pras vitórias.

Não podemos dizer que estamos no caminho do Z4 ou do G4, precisamos é de cautela. Cautela inclusive pra aguentar os próximos “primeiros tempos” de jogo feio, porque praticamente todas as nossas vitórias nesse brasileiro tiveram os 45 minutos iniciais sofridos. Mas se é assim que ganhamos 3 pontos, por que não continuar assim até que finalmente saibamos o nosso limite?

Foto: Leandro Moraes | Uol

Conhecemos o elenco celeste, sabemos que é bastante limitado. Falta os laterais a tanto tempo, mas temos que perceber a evolução do Diego Renan, principalmente na marcação, e que o Ceará, mesmo ainda estando fora de forma, só acrescentou qualidade à lateral no jogo contra a Lusa. Mas digo isso com “cautela”, já que é precipitado concluir qualquer coisa.

Borges também veio apenas para acrescentar. Apesar do gol perdido contra a Lusa, ele fez um excelente jogo sem a bola. Puxava marcação, buscava o jogo (já que a bola não chegava redonda pra ele), sofreu o pênalti e ajudou o Diego no segundo gol. Se encontrar um bom companheiro pro ataque e um bom suporte do meio-campo (já que o Montillo carece de um cara pra dividir a responsabilidade – Riquelme até seria uma boa), podemos ver o artilheiro do Brasileirão de 2011 em campo novamente.

Já escrevi anteriormente aqui e repito: um bom time não é formado em um piscar de olhos.

Temos que ter paciência e observar as pequenas evoluções. Falando isso, os realistas (ou pessimistas, como quiserem…) pensarão: mas até quando? Eu lhes respondo com outra pergunta: já repararam o quanto vem melhorando desde a saída do Mancini?

Fui a algumas partidas do mineiro e aos jogos contra o Figueirense, Vasco, São Paulo e Grêmio, além de assistir aos outros pela tv e vos digo: o time evoluiu demais ao meu ponto de vista! Apesar da catástrofe que foi o jogo contra o Grêmio, creio que, infelizmente, derrapadas e apagões no meio do caminho de times em formação sempre estarão presentes.

Sim, estamos “em formação”, se não repararam ainda. Mas creio que estamos no caminho certo. Recebemos reforços pontuais, de experiência e de jovens da base (Lucas Silva fez uma boa estreia, que apesar dos erros esperados pelo nervosismo, percebemos que qualidade ele tem e ainda pode evoluir muito).

2011 foi um ano marcante para nós, cruzeirenses, e de um tombo tão grande (sei que não caímos, mas esse é um fundo de poço máximo que o Cruzeiro chegou em um Brasileiro, ok?) a reestruturação deveria ser feita de modo inteligente.

Infelizmente, a reestruturação começou tarde em 2012, mas agora temos que, como diz o Alisson, “ensaiar ao vivo” e buscar afinar os instrumentos para que ao final estejamos satisfeitos. Se esperam que esse Cruzeiro com o Celso Roth venha ser um novo “Barcelona das Américas” já contra o Flamengo, sinto muito decepcionar, mas é melhor torcer pelo Real Madrid quando a temporada espanhola começar.

Busquemos cautela, tenhamos cautela. Cuidado com a depressão ou com a euforia exagerada. Infelizmente, ainda teremos tropeços, mas se os ventos continuarem soprando como estão, iremos evoluir mais do que decepcionar.

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Aqui é Cruzeiro!

Publicado por em sex, 06/07/2012 em Crônicas, Geral

Design Guilherme Prates

Um tal jornalista veio ao público ontem falar do Cruzeiro com um título de “Perrella deixou o Cruzeiro como terra arrasada”. Dois trechos me trouxeram maior indignação:

“Qualquer movimentação da diretoria na busca de novos rumos termina em fracasso e gozação. O exemplo recente é a contratação de Lorenzetti. Pra mim, uma farsa que tentou desviar as duas grandes contratações do rival: RG-49 e o goleiro Victor, e o sucesso do menino Bernard no último jogo.”

“Celso Roth, sua comissão técnica, a diretoria de futebol, o presidente, todos estão acobertados por um esquema jornalístico sobrevivido às penúrias dos Perrelas.”

Passo longe de ser jornalista, minha coluna aqui é de opinião. Mas muito me estranha o comportamento de certos que se formam para isso e pegam como cargo/função a necessidade de desestabilizar um clube.

Todos sabem que o Perrella não é santo, que arrasou com os cofres do Cruzeiro, mas diferentemente do que esse dito “jornalista” disse, a diretoria busca equilibrar sim as contas do Cruzeiro com um projeto verdadeiro e sobretudo, com inteligência.

Lorenzetti não veio, ok! Mas outros bons jogadores vieram. Alexandre Mattos tenta com inteligência e paciência reestruturar o Cruzeiro e a idade dos novos contratados estão dentro desse projeto do clube, que aliás, começa a valorizar também os meninos da base.

Aliás, Ronaldinho Gaúcho e Victor (10 milhões de reais pro ex-gremista) são “novos”, inclusive. Eu sei que é inevitável, mas – particularmente – eu odeio a comparação do Cruzeiro ao Atlético.

Ou será que vão esquecer-se das dívidas que o galinho já tinha antes do Kalil e voltou com uma mesada de 200 mil reais (com correção de juros passa pra 640 mil reais, confere?) para o Ricardo Guimarães nesse presente mês? Aliás, o “Galo na Veia” apareceu justamente pra tentar abater esse valor, né?

Se quer comparar o galinho com o Cruzeiro, sinceramente, eu te truco.  Que tal olhar para o próprio umbigo antes de tentar falar mal dos outros.

Quem tem esquema de jornalistas em “penúria” aqui?

Por que não fazem o questionamento de onde o time do lado de lá está conseguindo pé de dinheiro? É normal um time sem marketing, que nas últimas pesquisas apresentava entre as 4 maiores dívidas do país contratar um goleiro de 29 anos por 10 milhões de reais e um jogador que tem um salário milionário? De onde vem essa arrecadação? Por que não se faz esse questionamento???

Faz me rir quem diz que é de venda de jogador, já que o próprio Ricardo Guimarães vinha com 15% de direitos sobre o valor da venda. NUNCA comparem as atitudes do Cruzeiro com as do galinho ou como contrapartida. O time do outro lado da lagoa teria que nascer novamente pra ser um argumento de peso contra o meu time.

O Perrella pode ter sim roubado muito do Cruzeiro, se beneficiando e tendo o próprio clube como réu. Nós questionamos a venda do Fred e do Ramires até hoje. Como foi utilizado esse dinheiro? E por que o senador enriqueceu tanto durante a passagem pelo clube? Ainda, infelizmente, temos laços com esse tal BMG para financiar o Cruzeiro. Mas há uma política no clube para não entregar a mãe pra esse banco, enquanto outro clube já vendeu até a alma. E questionam apenas o Cruzeiro?

Há certos “jornalistas” que não merecem respostas, que escrevem mais piadas do que colunas de opinião ou textos jornalísticos. Sinceramente, vai catar coquinho ou aprender a ter uma argumentação melhor.

Agora eu que fiz meu desabafo, senhor “jornalista”.

O Cruzeiro não precisa de circo midiático, um jogador de fama internacional e apoio de entidades maiores para ser grande, temos torcida, história e uma sala de troféus que diz por si só.

E por favor, antes que falem de “aluguel”, lembrem-se da mesada de 640 mil reais. Teremos o Mineirão de volta no ano que vem, já a mesada pro banqueiro será vitalícia.

Mineiramente falando: evolução!

Nem me lembro qual foi a última vez que o Cruzeiro ganhou de um time grande e bem como ocorreu ontem. Digo “bem” pelo segundo tempo, que pelo primeiro, já estava pensando que veríamos mais do mesmo.

O Cruzeiro vem sendo um bom mineiro, não passando o carro na frente dos bois, não querendo aparecer mais do que o peso da sua camisa permite.

Mineiramente, conquistamos manchetes essa semana por uma virada empolgante, por grandes contratos, por vendas inesperados… por coisas que só acrescentam ao objetivo final do futebol: jogar bola e vencer. Não show de pirotecnia por atitudes “ousadas”. Aos poucos, percebemos que o trabalho do Celso Roth já vem dando movimentação e qualidade no passe – este ainda pouco, mas infinitamente superior ao que éramos reféns antigamente.

Temos muito a corrigir, é verdade. Mas não podemos esquecer do que já conquistamos. No time do dia 04 de dezembro de 2011, um clube quase nas vésperas de um rebaixamento que precisava desesperadamente da vitória sobre o rival pra permanecer na séria A ao time da virada histórica sobre o Botafogo no Engenhão, muita coisa mudou. Principalmente a postura.

Fonte: http://www.decoracao-casa.com/

Não só tática, mas também do comportamento desses jogadores.

No segundo tempo, ainda antes de levar o segundo gol, vimos um Cruzeiro que buscava a vitória e não só cumprir um protocolo de jogar bola, pra receber seu salário. Mesmo com pouco alarde, pouca crença dos torcedores, eles foram lá e viraram.

Estou ciente que isso não ocorre todos dias, mas se ocorreu, é que temos força pra que isso ocorra novamente.

O cruzeirense sabe que o Anselmo Ramon pode surpreender com uma assistência e um gol logo depois que sair do banco, que o Fabinho pode queimar a língua de muitos, que o Everton pode fazer gol de cabeça em um ataque rápido, que um estreante na zaga pode dar segurança e que um time com 4-4-2 é melhor do que um time no 4-3-2-1 mesmo jogando longe dos seus domínios contra um bom time.

Não estou com a esperança que o Cruzeiro venha conquistar o título esse ano, como já disse anteriormente neste espaço, mas que se ajeite para os próximos anos depois da traulitada que foi o segundo semestre de 2011 e o primeiro semestre do presente ano.

Observando a evolução em pequenos detalhes que percebemos que esse time tem liga, a presidência tem liga e o diretor de futebol tem liga. Já estamos aprendendo a movimentar melhor, apoiar melhor, dar um passe melhor, se defender melhor. Claro que ainda nada disso está perfeito, mas está sim infinitamente melhor. Não tem como criar um time campeão da noite pro dia, mas aos poucos podemos construir uma base para isso.

Não importa se a imprensa deu pouco destaque, se não entramos na seleção da rodada, se não somos manchetes por contratações “ousadas”, mas se importem porque o que vimos é um time em franca evolução, que não está perfeito, mas está melhorando. Com Celso Roth até perdemos 4 pontos em dois empates, mas conquistamos uma postura que vale mais do que a goleada imposta sobre a Caldense por 5×0.

A questão é saber filtrar o que conquistamos de positivo e, com isso, trabalhar o que falta.

Mineiramente, vamos reconquistando o mais importante: a confiança. É certo cobrar e ser realista. Mas se nessa realidade vem ocorrendo coisas boas, por que ignorar que podemos torcer para que ocorra o melhor novamente?

A tempestade está passando, dias melhores virão.

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Cruzeiro Sempre!

Já sabemos por onde começar

O Cruzeiro não foi rebaixado, nem humilhado com goleadas históricas, mas se continuar do jeito que vinha, capaz disso poder acontecer. Mas a reformulação não acontece de um dia pro outro, é necessário tempo, o que me vem o exemplo de 2007.

Em 2007, tínhamos no comando Paulo Autuori, técnico que havia ganhado a Libertadores pelo Cruzeiro em 1997, mas que 10 anos depois, já não sabia mais modernizar o seu comando para aquele período.

Após perder de uma forma humilhante por 4×0 no primeiro jogo da final do campeonato mineiro, o técnico abandonou a barca e muitos torcedores pensavam que o time estava no fundo do poço. A diretoria buscou, após carimbar a faixa de campeão do adversário usando a base com um 2×0, um técnico até então desconhecido entre os grandes: Dorival Júnior. Dorival foi como um “desfribilador” para o Cruzeiro.

Após 2003, o clube vivia a sombras da Tríplice Coroa, achando que a qualquer momento seria mais fácil reconstituir aquele ano em um piscar de olhos. Mas Dorival foi um tratamento de choque no Cruzeiro, apostando em meninos da base (Guilherme), com desconhecidos (Ramires) e sendo atrevido (quase sempre colocava o time no 4-3-3), classificamos para a Libertadores. Mas o formato atrevido de jogar talvez tenha sido o que fez com que a diretoria não quisesse renovar com o Dorival, que era bem verdade que aquele time fazia muitos gols, mas levava também.

Então em 2008, o Cruzeiro quis apostar em um técnico jovem, mas que entendia a responsabilidade e respeitava o Cruzeiro: Adilson Batista.

Adilson chegou indicando três reforços com os quais ele trabalhou no Japão: Marquinhos Paraná, Henrique e Fabrício. Volantes, mas justamente no setor do meio campo que o time montado por Dorival Júnior precisava de maior apoio. Tirando o Fabrício, que era um pouco mais conhecido pela sua atuação no Corinthians, os outros dois não eram conhecidos pela torcida, nem pela imprensa.

Marquinhos Paraná e Henrique sofreram marcação cerrada da torcida e eram vaiados, vaiados e um pouco mais vaiados. Mas os resultados já apareciam.

Ramires também era vaiado pela torcida em 2007, diziam que o menino só corria em campo, fazia muita falta e mal sabia dar um passe direito. Mas em 2008, já virava artilheiro na Libertadores, já que o time, que jogava com 3 volantes, tinha um deles como “elemento surpresa que aparecia no ataque”. Culpa do técnico.

Em reportagem do superesportes de 2008, Ramires fala sobre a sua evolução pra “volante-artilheiro”:

“Venho treinando finalização. O Adílson coloca a bola perto do gol para eu finalizar. Ele falou que eu estou chegando bem. No ano passado eu também chegava bem, mas não estava finalizando bem. Estou trabalhando bastante a finalização e graças a Deus estou conseguindo ajudar o Cruzeiro”, disse Ramires.

Isso é treinamentoTodo mundo está se empenhando ao máximo nos treinamentos. O Adílson também vem fazendo um ótimo trabalho. O grupo todo está de parabéns”, destacou o jogador, que forma com Wágner e Jadílson uma boa opção de ataque do time celeste.

Leia mais: http://www.cruzeiro.org/noticia.php?id=31751#ixzz1uTwcTPbc

E assim se formou a base que enfrentou muitos e esteve entre os melhores da América por três anos. Sei que vice-campeonato não é ser campeão, mas de vice pra campeão depende de detalhes ou até questão de sorte, mas a questão aqui é que tínhamos um time forte.

Precisamos de um técnico como Dorival, não necessariamente o Dorival, mas que saiba olhar no Cruzeiro as falhas, tentar arrumá-las e saber usar o que tem de melhor disponível.

Não necessariamente precisa mudar um técnico como foi de Dorival pro Adilson, mas também precisamos de um técnico que após saber aproveitar o que tem de melhor disponível, saber onde estão as questões pontuais que necessitam de reforços e trabalhar junto com a diretoria.

Após formar uma base, saber defender suas convicções (principalmente contra ataques da imprensa) com fatos e trabalho, e caso não der certo, enfrentar, trabalhar e mudar.

Um time campeão não se faz da noite pro dia. O Luxa não fez 2003 apenas em 2003, mas a base foi construída em 2002.

Com a diretoria sabendo intermediar essa necessidade, resta a torcida ajudar e muito, pois o sócio torcedor é necessário nessa horas.

São questões óbvias, que o Cruzeiro já conheceu a fórmula, mas não são resultados que aparecem da noite para o dia. Mas já sabem por onde começar, né?!

AP Photo/Natacha Pisarenko

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Não é Brasfoot, Mancini!

Tem que parar com o futebol “Brasfoot”.

O Cruzeiro tem jogado um futebol de “Brasfoot”: só é determinado a posição de cada um, o esquema tático, o estilo de jogo e o tipo de marcação.

Mas o futebol real envolve questões que vão além de um computador, onde jogadores não são máquinas, o resultado não é programado, o desenvolvimento depende de fatores que vão além de técnica e tática e, principalmente, não tem como salvar um jogo para ter uma segunda chance.

O Cruzeiro não deveria ter entrado em campo contra o Galo ou contra a Chapecoense com a mesma postura que foi contra a Caldense, América-TO, Democrata-GV… O futebol é cíclico e cada jogo é diferente do outro, óbvio. O Galo tinha jogadores rápidos, com peças melhores que os outros adversários enfrentados e a Chapecoense vinha bem no catarinense, além de ser acostumada a jogar em um campo impraticável para o esporte, visível para todos anteriormente.

E outra, os jogadores nem sempre estão na sua melhor fase ou no melhor panorama para exigir o mesmo estilo de jogo, como foi a opção de colocar o Wallyson em campo contra a Chapecoense, sendo que acabou de recuperar de uma cirurgia e o gramado estava longe de ser praticável. Temos que observar as circunstâncias e os erros, estudar o adversário, saber o estilo de jogo a ser enfrentado, o campo que vai correr e treinar, mas treinar mesmo!

Não são apenas questões de esquema tático, mas da necessidade do treino direcionado à correção dos erros. Em qualquer esquema tático, não é possível ver uma troca de passes convincente no Cruzeiro. Chegam ao ataque e sempre gritam, reclamam e se perdem procurando alguém. Há pouco apoio, custa a aparecer alguém e, na maioria das vezes quando chegam à frente, acham como opção três ações: jogada individual, chutar de onde está para o gol ou tentar escanteio. E os outros jogadores, onde estão em campo?

Na defesa também, como levar gol de cabeça do Danilinho? Aquele tamanho de criatura?! Contra a Chapecoense também, como deixar o jogador deles pular sozinho? Questão de observar o óbvio e agir a partir disso.

São questões claras, que vão além da introdução e do objetivo possível no Brasfoot, mas vai no desenvolvimento feito a partir da formação de quem estudou, trabalhou e treinou pra isso.

Creio que deveriam passar a noite estudando o adversário, não pra fazer um jogo dependendo do adversário, mas ao menos tentar colocar em prática o nosso melhor do estilo de jogo para aproveitar os pontos falhos do adversário e se proteger do adversário. Diziam que o time do AB era retranqueiro e que ele armava o time de acordo com o adversário, mas todos ainda se lembram do estilo “Adilson Batista de jogar”, porque formou um estilo. Agora, a identidade do time do Vagner Mancini é o de querer ter uma identidade, mas não saber como obtê-la.

Eu sei do limite técnico que o time do Cruzeiro tem e outras questões óbvias, mas deveriam sair da frente do “computador” e praticar, parar de jogar “Brasfoot” e comer grama, não capim.

Sirliane Freitas // Diario Catarinense

*Já joguei muito Brasfoot, Elifoot, Fifa… fui campeã em tudo! Mas nos meus dois anos jogando futebol, ganhei nada de importante.  Quer uma prova melhor? Até o Galo ganha a Libertadores virtualmente. 😛

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