Pode dar m****

Ontem achei o Cruzeiro surpreendente. Não me lembro – em anos – de ter visto o Cruzeiro jogar daquele jeito. Bem. Muito bem.

Crédito: Bruno Alencastro/Agencia RBS

Crédito: Bruno Alencastro/Agencia RBS

A organização em campo, postura pra defender e atacar, a intensa troca de passes (boas), mesmo sendo visitante fez apagar aquele jogo feio contra o Santos no domingo. Mas o Cruzeiro perdeu. Pois é!

Queria ser, mas tenho medo de acreditar que seremos campeões. Sei que é cedo pra falar essas coisas e tal, mas é complicado apostar nesse time. Aposto sim, mas não alto. Entende? Sabemos do potencial e vemos sempre grandes exibições, mas tem aquele medo: ainda não posso elogiar.

Destaco 3 jogos desse ano:

– Galinho 3×0 Cruzeiro: Nosso melhor zagueiro é expulso num lance infantil, quando ainda estava 0x0. É verdade que, diferentemente dos outros jogos, o Cruzeiro vinha nervoso, sem acreditar que podia ganhar aquele jogo. E podia, mas ué? Dos 4 clássicos: vencemos 3 – sendo dois contra o time titular do adversário – e perdemos um, que é este o qual falei.

– Cruzeiro 2×2 Internacional: Empatamos dentro de casa, foi merecido até, mas o Cruzeiro lutou. Agora me expliquem a expulsão do Ricardo Goulart? Até hoje não tem explicação. E ainda dois dos nossos jogadores machucaram ainda no primeiro tempo.

Crédito: Diego Vara/Agencia RBS

Crédito: Diego Vara/Agencia RBS

– Grêmio 3×1 Cruzeiro: Além das considerações iniciais, vale lembrar a expulsão do Souza. Sei que ainda há a discussão sobre a justiça no cartão ou não. Pra mim, foi justa. Talvez em outros países não se aplique cartão naquela jogada, mas aqui no Brasil… Conhecemos o PC Oliveira (lá com seus 30 anos de profissão) e sabemos o que ele faz. Seria muita ingenuidade pensar que uma falta daquelas passaria em branco, ainda mais para o time visitante.

O Cruzeiro de 2013 é muito bom mesmo, talvez o melhor elenco que temos desde 2003. Mas falta um Q a mais. Aquele Q que não deixa a pulga atrás da orelha pra fazer elogios, aquele a mais que não pense “pode dar merda” ou “quem não faz, toma”. É a questão do pênalti: quando a marcação é a nosso favor, temos 80% de chances de errar, mas contra… já era.

O time titular de ontem tinha apenas 2 jogadores que estavam no time titular do ano passado. Não sei ao certo o que dizer, mas seria pretensão pensar que um time totalmente reformulado bata o Corinthians, Inter, Galinho, Flu… que já conta com, no mínimo, uma temporada com uma base montada?

Não, não seria. Porém: seria.

O Cruzeiro é mais time que esses todos, quando joga bola, joga mais que esses todos (na atual temporada), não é a toa que se encontra no topo da tabela. Porém, ahhhh o porém, pode dar m****.

Falta um pouco de amadurecimento – eis a palavra. Ou a malandragem, o cacoete(né Douglas?) pra ser campeão! Talvez a vontade de provar que pode, faça mostrar que “ow… vi que você pode, mas pare por aqui”. Aquela vontade de chegar lá na frente e driblar todo mundo antes de concluir a gol mostre que o jogador é demais e pode ser o destaque do campeonato, mas seria mais fácil concluir logo ao gol. Ou aquela vontade de mostrar “mais raça”, e passar do limite da falta. Sabemos fazer o feijão com arroz perfeito, mas querem ir pra sobremesa antes de ficar bem alimentado, entende?

O Cruzeiro pode e quer mostrar que pode, mas ainda não vejo o que quer. Talvez a disputa pela titularidade, talvez a falta de acreditar em si mesmo, mas é que ainda, infelizmente (e na espera que mude), “pode dar merda”.

Luciana Bois

Ps: Com certeza leram meu texto.

Marcelo Oliveira: bom senso no comando.

Futebol é engraçado, né? Quando não tem elenco é complicado e quando se tem um bom elenco também é complicado.

Muitos reforços para 2013 - Foto: Washington Alves | Vipcomm

Muitos reforços para 2013 – Foto: Washington Alves | Vipcomm

Não é só esse começo do ano, mas todo o elenco do Cruzeiro tem um histórico de contusões bem grande… inclusive bons jogadores: Martinuccio, Borges, Dagoberto, Henrique (nos dois últimos anos), Victorino, Leo… e por ai vai. Os chinelinhos também.. (melhor não citar).

E ainda há os que gostam de cartão, como o Guerreiro, o Anselmo Ramon e por ai vai…

O Marcelo tem cara de ser um técnico que não dá regalias por causa de nome. Desde já, a escolha do Marcelo Oliveira se baseia em “quem está melhor e tem condições que vai a campo”.

Foto: Washington Alvez | Vipcomm

Foto: Washington Alvez | Vipcomm

Pelo andar da carruagem no futebol, será fácil todos terem oportunidade. E isso é bom até pra aumentar o rendimento dos próprios jogadores. Por exemplo: a zaga não teve reforço de peso, mas nos coletivos eles não enfrentam um WP, mas Borges, Luan, Vinicius Araújo – que vão querer mostrar serviço… Já nos treinos, eles (nessa situação: a zaga e os atacantes) são obrigados a melhorar bem a qualidade!

Neste sábado, o garoto Vinicius Araújo nem sabia se seria relacionado e muito menos se entraria em campo. Soube aproveitar a oportunidade que teve ao substituir o Anselmo Ramon, que havia machucado logo no primeiro tempo. Marcou gol, deu assistência e foi fundamental. Um jogo oficial bastou pra aumentar a dúvida pro Marcelo Oliveira.

No inicio do ano, entrei em um debate sobre o aproveitamento dos garotos da base. Defendia que não precisava de regalias para que pudessem ser aproveitados e deveriam ser observados de igual para igual, assim como todo o elenco. A oportunidade iria aparecer e bastava para eles saber como aproveitar.

Como foi para Vinicius Araújo e para Élber, que entrou pra desafogar o lado direito e tirar a falta de ritmo do medalhão Diego Souza de campo, grandes jogadores conseguiram as oportunidades em jogos assim contra uma Tombense da vida.

Vinicius Araújo e Élber - Foto: Alexandre Guzanche | EM

Vinicius Araújo e Élber – Foto: Alexandre Guzanche | EM

Em entrevista*, Tostão relata:

“O Cruzeiro tinha contratado Hilton Chaves, Brandãozinho e Fiapo, para montar o meio-de-campo para a temporada de 64. Eu e o Piazza éramos reservas e tínhamos poucas chances. Cheguei a estrear num jogo à noite no Barro Preto, mas ficou nisso. Sem uma sequência de jogos não dava para ganhar uma sequência no time. Mas os titulares foram sofrendo contusões, e eu e o Piazza entramos […].”

Com o Cruzeiro dos últimos anos não deveria ser diferente e o técnico Marcelo Oliveira deu seu recado em suas primeiras entrevistas deste ano: “entra quem estiver melhor”. De fato, é o que vem acontecendo, tanto para medalhões quanto para os oriundos da base.

Borges não tinha condições plenas pra jogo. Pra quê colocar o moço se ele ainda está 80%? Pra diminuir para os 60% e demorar um pouco mais pra se recuperar?

Estamos no campeonato mineiro… tempo para descobrir, entrosar e arrumar o time para campeonatos melhores e fases mais decisivas. É bom ver que o Anselmo Ramon, apesar dos “2” gols marcados em três jogos, sente medo de perder seu lugar no time. Fato que relata o contrário de quando havíamos o Wellington Paulista como camisa 9.

Outro caso relevante para esse início de temporada é a falsa sensação que goleadas trazem. Prefiro ganhar apertado jogando bisonhamente agora para corrigir os erros do que golear mascarando o que tem de errado e perder bisonhamente depois, assim como o Marcelo Oliveira disse em entrevista.

As entrevistas do Marcelo Oliveira estão sempre sensatas e de acordo com o que se espera do “professor”. Se mantiver a postura no que diz e no que faz, ele saberá conduzir esse bom elenco para o resto da temporada, e o que hoje é visto como “problema” terá uma boa solução.

*Entrevista retirada do livro “Página Heroicas – Onde a Imagem do Cruzeiro Resplandece”, 2003, DE Jorge Santana.

Luciana Bois