Ídolos?!

Essa semana fomos, de certa maneira, surpreendidos.

Guilherme, ex-atacante atacante cruzeirense, por muitos anos em nossa categoria de base, que ajudou a levar para a Toquinha o primeiro título da Copa São Paulo, campeão mineiro com a camisa celeste em 2008 quis declarar morte ao seu lado masculino e foi para o lado rosa da lagoa.

Deixando as brincadeiras de lado, muitos cruzeirenses ficaram revoltados com essa escolha desse jogador, mas ah… acho que foi uma boa escolha para ele, que é um jogador novo e estava perdido em meio àquela terra onde os brasileiros mal sabem soletrar o nome do time em que ele jogava.

Entendo a revolta da torcida cruzeirense, ver quem gritávamos o nome e comemorávamos gols contra o mesmo rival que agora o abrigará é ruim. Mas… é o futebol.

Guilherme nunca foi um ídolo da torcida cruzeirense, assim como Leonardo Silva também não. Cito apenas esses dois porque foram os que nesse inicio do ano mais falaram sobre a mudança pro time de lá.

A meu ver, a torcida deveria parar de criar ídolos instantâneos, não é só um título que consagra um ídolo, mas as suas palavras, atitudes, o respeito, a postura e a raça ao defender o manto celeste.

Culpar a diretoria do clube por não ir atrás desses jogadores antes que o Atlético fosse atrás também é meio babaquice. O Guilherme é um atacante de fora da área e nesse momento temos dois jogadores em excelente fase disputando a titularidade. Dois jogadores que rondam a artilharia das duas competições que participamos, entre elas, a de maior importância das Américas.

Lamentar que o Guilherme esta indo pra lá por quê? Temos o melhor ataque do Brasil, o melhor da Libertadores da América. Guilherme pra que?

Revolta como essa foi na ida do zagueiro Leonardo Silva para lá… Ele não queria ficar, enrolou demais para renovar o contrato. Todo mundo acompanhou essa novela chata… detonaram o Cruzeiro pela falta de insistência, falando que assim iríamos cair, que era o melhor zagueiro, que agora eles teriam a melhor zaga do Brasil e blábláblá.

Três meses depois, cá estamos com a melhor zaga da Libertadores e do Campeonato Mineiro, sem Leonardo Silva mas sim com Victorino, Gil e Leo. Pra que Leonardo Silva mesmo? O qual agora esta comendo banco pra Werley???

Lembram o que eu escrevi sobre a saída dele pra lá?

Vamos parar de criar ídolos instantâneos! Podem ser grandes jogadores, mas fazer essa revolta toda por eles, não vale esse tempo gasto. Eles são profissionais, pagos para exercer essa profissão. Identificação com um clube não se ganha apenas por um título… fazer o que? É o futebol ue. Aceitem! Beijar um escudo é fácil demais, expressar o verdadeiro significado desse gesto que é difícil.

Grandes jogadores que eu admiro dentro e fora de campo que honraram a camisa do Cruzeiro pra mim são: Alex, Sorín e Edu Dracena (sim, ele mesmo!) dos que eu vi jogar, é claro.

Esses eu acredito que pensariam muito se trocariam uma história que teve no Cruzeiro apenas por dinheiro pelo lado de lá.

Luciana

Anúncios

90 anos: Mistura de sentimentos – 2003 por Alex

Continuando a série dos 90 anos do Cruzeiro, e por hoje ser – 02/01/2011 – um dia tão especial, vamos falar da página heróica mais recente que ainda esta na nossa memória e que muitos ainda lembram capítulo a capítulo: o ano de 2003. O time comandado por Luxemburgo conquistou os admiradores do mundo e os maiores títulos nacionais em uma temporada.

Mas aqui será retratado de uma forma diferente… nosso próprio craque e camisa 10 daquela esquadra aceitou nos contar do sentimento de ser campeão – não apenas como jogador, mas se tornando torcedor do Cruzeiro Esporte Clube, mandando também os parabéns por esse aniversário. (Luciana)

Mistura de sentimentos

Quando recebi o terceiro cartão amarelo diante do Paraná Clube em Curitiba, me deu um sentimento profundo de tristeza. Vi naquele lance que não participaria teoricamente da partida decisiva. Tinha absoluta certeza que não passaria da partida do Paysandu, e realmente não passou.

Capa do caderno de Esportes do EM no dia 30/11/2003

Tive uma semana totalmente diferente!!! Fui incumbido pelo Vanderlei de arrumar tudo para festa que foi realizada após a partida no Ouro Minas. Sentava na sala da Dimara Oliveira e começávamos os contatos. Quando ia ao treino só ficava mais conversando, juntamente com o Cris e o Ari para diminuir um pouco a ansiedade do grupo que tinha absoluta certeza do título, mas queria que fosse na próxima partida.

No domingo tive um dia de torcedor, não acordei na concentração, acordei em casa com minha mulher super ansiosa pelo jogo, e com vizinhos doidos para gritar “é campeão”!!!

Sai de casa por volta das 11 horas da manha, passei no hotel, peguei as famílias do mestre Luxemburgo e do meu grande parceiro Aristizabal. Almoçamos no Xapuri, muito próximo a Toca da Raposa. Não era jogador nesse dia, era mais um cruzeirense no meio de milhares.

Tinha um misto de frustração e ansiedade. Frustrado por não poder jogar e ansioso para, como um bom cruzeirense, soltar o grito de campeão.

Chegando na Toca, vi um grupo de jogadores totalmente compenetrados na partida. Desejei boa sorte a eles e me juntei aos familiares que seguiram em um ônibus atrás do ônibus do time.

Abandonei temporariamente o Mineirão e fixei pensamentos no Serra Dourada. Deu certo!!!! O Goiás ganhava fácil no centro-oeste brasileiro.

Quando o Mota fez o segundo gol, desci carregando comigo todos os familiares que encontrava e levei-os comigo para dentro do gramado do Mineirão. Entrando no campo fui abraçar o Luxemburgo e ele me disse “sai daqui, ainda não acabou”, respondi: “ja era mestre, somos campeões”. Olhei para minha esposa e ela me disse, “você merece, o sacrifício por esse título foi enorme, não se segure, comemore”. Quando ela terminou a frase, sai em disparada para o torcedor, estava mais do que misturado meu sentimento.Auremar de Castro / EM

Eu atleta-torcedor, ou torcedor-jogador, não sei ate hoje.

Nasci coxa-branca, com orgulho, não escondo de ninguem.

Tive alegrias enormes no Palmeiras.

Mas nessa tarde, naquela corrida vibrante com o torcedor, nasceu um cruzeirense.

Fui infeliz na primeira passagem, cheguei sob uma desconfiança grande em 2002, mas sempre fui respeitado e o torcedor cruzeirense me deu essa oportunidade de me tornar um pouquinho um deles.

Obrigado ao Luxemburgo pela insistência em me contratar, obrigado a diretoria por aceitar essa insistência do Luxa e muitíssimo obrigado ao torcedor cruzeirense pelo carinho.

Obrigado aquele grupo de trabalho fantástico que tivemos.

Parabéns Cruzeiro por mais um ano de vida.

Um dos grandes clubes do futebol mundial que merece todos os aplausos.

Abraços a todos os cruzeirenses.

Alex