Marcelo Oliveira: bom senso no comando.

Futebol é engraçado, né? Quando não tem elenco é complicado e quando se tem um bom elenco também é complicado.

Muitos reforços para 2013 - Foto: Washington Alves | Vipcomm

Muitos reforços para 2013 – Foto: Washington Alves | Vipcomm

Não é só esse começo do ano, mas todo o elenco do Cruzeiro tem um histórico de contusões bem grande… inclusive bons jogadores: Martinuccio, Borges, Dagoberto, Henrique (nos dois últimos anos), Victorino, Leo… e por ai vai. Os chinelinhos também.. (melhor não citar).

E ainda há os que gostam de cartão, como o Guerreiro, o Anselmo Ramon e por ai vai…

O Marcelo tem cara de ser um técnico que não dá regalias por causa de nome. Desde já, a escolha do Marcelo Oliveira se baseia em “quem está melhor e tem condições que vai a campo”.

Foto: Washington Alvez | Vipcomm

Foto: Washington Alvez | Vipcomm

Pelo andar da carruagem no futebol, será fácil todos terem oportunidade. E isso é bom até pra aumentar o rendimento dos próprios jogadores. Por exemplo: a zaga não teve reforço de peso, mas nos coletivos eles não enfrentam um WP, mas Borges, Luan, Vinicius Araújo – que vão querer mostrar serviço… Já nos treinos, eles (nessa situação: a zaga e os atacantes) são obrigados a melhorar bem a qualidade!

Neste sábado, o garoto Vinicius Araújo nem sabia se seria relacionado e muito menos se entraria em campo. Soube aproveitar a oportunidade que teve ao substituir o Anselmo Ramon, que havia machucado logo no primeiro tempo. Marcou gol, deu assistência e foi fundamental. Um jogo oficial bastou pra aumentar a dúvida pro Marcelo Oliveira.

No inicio do ano, entrei em um debate sobre o aproveitamento dos garotos da base. Defendia que não precisava de regalias para que pudessem ser aproveitados e deveriam ser observados de igual para igual, assim como todo o elenco. A oportunidade iria aparecer e bastava para eles saber como aproveitar.

Como foi para Vinicius Araújo e para Élber, que entrou pra desafogar o lado direito e tirar a falta de ritmo do medalhão Diego Souza de campo, grandes jogadores conseguiram as oportunidades em jogos assim contra uma Tombense da vida.

Vinicius Araújo e Élber - Foto: Alexandre Guzanche | EM

Vinicius Araújo e Élber – Foto: Alexandre Guzanche | EM

Em entrevista*, Tostão relata:

“O Cruzeiro tinha contratado Hilton Chaves, Brandãozinho e Fiapo, para montar o meio-de-campo para a temporada de 64. Eu e o Piazza éramos reservas e tínhamos poucas chances. Cheguei a estrear num jogo à noite no Barro Preto, mas ficou nisso. Sem uma sequência de jogos não dava para ganhar uma sequência no time. Mas os titulares foram sofrendo contusões, e eu e o Piazza entramos […].”

Com o Cruzeiro dos últimos anos não deveria ser diferente e o técnico Marcelo Oliveira deu seu recado em suas primeiras entrevistas deste ano: “entra quem estiver melhor”. De fato, é o que vem acontecendo, tanto para medalhões quanto para os oriundos da base.

Borges não tinha condições plenas pra jogo. Pra quê colocar o moço se ele ainda está 80%? Pra diminuir para os 60% e demorar um pouco mais pra se recuperar?

Estamos no campeonato mineiro… tempo para descobrir, entrosar e arrumar o time para campeonatos melhores e fases mais decisivas. É bom ver que o Anselmo Ramon, apesar dos “2” gols marcados em três jogos, sente medo de perder seu lugar no time. Fato que relata o contrário de quando havíamos o Wellington Paulista como camisa 9.

Outro caso relevante para esse início de temporada é a falsa sensação que goleadas trazem. Prefiro ganhar apertado jogando bisonhamente agora para corrigir os erros do que golear mascarando o que tem de errado e perder bisonhamente depois, assim como o Marcelo Oliveira disse em entrevista.

As entrevistas do Marcelo Oliveira estão sempre sensatas e de acordo com o que se espera do “professor”. Se mantiver a postura no que diz e no que faz, ele saberá conduzir esse bom elenco para o resto da temporada, e o que hoje é visto como “problema” terá uma boa solução.

*Entrevista retirada do livro “Página Heroicas – Onde a Imagem do Cruzeiro Resplandece”, 2003, DE Jorge Santana.

Luciana Bois

Sonho (não só) de criança.

Tenho que confessar que tenho um carinho a mais pela base celeste.

A partir dos meus 12 anos, eu comecei a jogar em equipes de esporte coletivo das escolas que estudei. Passei por futebol e por handebol, além de ter feito escolinha de vôlei,  isso tudo durante 7 anos. Certamente se eu fosse realmente boa (a gente tenta, né! =P), eu tentaria me profissionalizar em algum deles o que evitaria as minhas lágrimas quando fui obrigada a parar de jogar ao ter que ir pra faculdade e trabalhar ao mesmo tempo.

Surgiu uma oportunidade de um grande clube patrocinar meu time de handebol, mas não deu certo. O meu sonho era fazer o que eu gostava profissionalmente. Mas a vida acaba impondo outros caminhos.

A categoria de base para um clube é fundamental para a sua grandeza. “Cria” talentos a baixo custo e também uma renda relativa na venda dos mesmos, mesmo quando não podem ser aproveitados pela equipe profissional.

Mas quando não trabalhada corretamente, pode gerar desperdício de dinheiro com a perda do capital investido, exposição da marca do clube negativamente e descuido também na formação de seres humanos.

Os meninos que estão na base esperam reconhecimento e alcançar um sonho deles também: ser jogador de futebol profissional. Mas de tantos que passam em muitas categorias de base, pouquíssimos são realmente aproveitados em grandes clubes.

Revista do Cruzeiro – Edição 76 – 2004

Fazendo as contas, um jogador profissional tem “vida útil profissional” (tipo um tempo médio que penso que um bom jogador seria aproveitado em grandes clubes) por mais ou menos 12 anos e na base temos milhares de crianças que entram para os clubes a cada ano. Como se pegássemos o Fábio, que completa cerca de 5 anos no gol cruzeirense e ver que, durante esse tempo, muitos bons goleiros cruzeirenses passaram pela base: Rafael, Douglas Silva, Douglas Borges, Gabriel… São muitos jogadores pra poucas vagas.

Mas, conversando com um dos garotos da base celeste, percebi que uma das maiores insatisfações não é só a falta de aproveitamento no time profissional, mas a falta de oportunidade concreta para que sejam observados pela comissão técnica do profissional, e acabam preferindo seguir carreira em outros lugares.

Diziam que este ano iria melhorar esse processo de transição no Cruzeiro, mas, por enquanto, a novidade foi o maior número de jogos treino contra o time reserva do Cruzeiro. Mas como diz os meninos, a qualidade técnica do time reserva do Cruzeiro é maior do que o time júnior, quando se trata do grupo em geral. Mesmo tendo talentos bons individuais, em um esporte coletivo, dependem também dos outros para mostrar o que realmente sabem. Já que jogando contra uma equipe superior não conseguem manter a bola no chão ou ficar com ela mais tempo, não podem mostrar o que sabem. Então seria melhor treinar com eles, não apenas jogar contra eles.

Eu penso que os jogos-treino poderiam continuar com todo o grupo, mas os talentos individuais escolhidos diretamente pela diretoria da base deveriam ser escolhidos para treinar até duas semanas com o profissional tendo duas consequências finais: ou é integrado ao time profissional ou não, sendo que voltaria para a base sabendo aonde deveria se empenhar melhor. Será que seria possível?

Revista do Cruzeiro – nº 21 – Dez/97 | Quem diria qual gol ele faria em 2000?

Conversando com o Alexandre Mattos, entendi também alguns pontos de quem administra isso tudo.

Não podemos generalizar o pensamento dos garotos, mas há garotos que possuem diferentes motivações e influências. Alguns reclamam da falta de oportunidade e outros, quando ganham destaque, acabam achando que será um novo “Neymar” e acabam complicando muito. Não me referindo apenas ao valor contratual, mas são também influenciados pela vontade de jogar fora daqui, como o “sonho europeu de consumo” que a maioria dos jogadores brasileiros possui.

A nova diretoria herdou um fardo pesado ao assumir o Cruzeiro depois da passagem do Dimas Fonseca. Ainda não deu tempo para julgá-los em relação à base: houve troca de técnico, o Cruzeiro foi mal nos campeonatos e os próprios meninos fizeram uma excursão pela Europa enquanto o novo técnico chegava.

Mas, como o Alexandre afirmou quando o questionei, as projeções para o futuro são melhores que as atuais, que as coisas estão mudando e muito, mas que leva tempo e que precisamos que o profissional se equilibre para subirmos os garotos que realmente possuem qualidade. Temos que dar tempo ao tempo e não passar o carro na frente dos bois, lembrando também de não dormir no ponto.

Quando a torcida julga a agilidade da diretoria ou o caráter dos meninos da base, temos que entender que ambos possuem o mesmo objetivo: revelar talentos. Vamos procurar entender os dois lados da situação para não pressionar negativamente nenhum lado.

Não se precipitem querendo a cabeça de alguém do clube ou “fechar a Toca I”. Tentar entender a situação por todos os lados seria uma boa, né? Como eu já disse: paciência, novos ventos soprarão na(s) Toca(s).

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