O lado obscuro do futebol

Design Guilherme Prates

Após as notícias de que o Cruzeiro deve ao Perrela concluo que é cristalina a possibilidade de ser verdade, como também é cristalina a possibilidade de não ser verdade.

Explicando melhor: a receita de um clube de futebol vem do patrocínio, bilheteria, publicidade e transmissões, premiações, escolinhas, produtos licenciados, etc… Ao menos isso é o que dizem oficialmente, mas “entre quatro paredes” é muito complicado saber ao certo o que acontece.

E quando envolve transação por atletas então…

Muitos “jornalistas” paulistas cravavam a venda do Montillo pro Corinthians de acordo com “uma fonte confiável”. Mas quem é confiável a ponto de passar para jornalistas conversas telefônicas? Como tiveram acesso à tais informações? Por que não divulgaram isso antes? Como podemos confiar? Se tantos outros times de futebol vivem com os salários  atrasados, por que tentam repercutir a notícia de que o Cruzeiro se encontra com salários atrasados agora? E ainda colocando em cada nota de reportagem que os salários “ainda” estão atrasados?!

O mercado do futebol é muito mais obscuro do que podemos imaginar. Árbitros, dirigentes, jornalistas, jogadores… Qual classe nunca esteve envolvida em falcatruas?

Acredito que tanto a imprensa quanto os clubes e federações estão fartos de santos de pau oco. O trabalho pode ser feito na mais excelência transparência, mas não duvido nada que há trabalhos que envolvem não apenas as horas como extras.

Ser empresário de jogador de futebol ultimamente é para fazer chantagem, cotação e leilão. Contrato é mero papel com umas letras borrando a brancura de uma folha A4.

Algumas reportagens, além da introdução, desenvolvimento e conclusão, deveriam ter o “como, por que e quando descobrimos” e, se a cara de pau permitir, “qual é a finalidade de divulgar aquilo”.

Hoje em dia custo a ver jornalistas que se preocupam com informação de qualidade. Apenas vejo uma corrida para ver quem dá a notícia em primeira mão, mesmo que pra isso seja necessário “chutar” o conteúdo da reportagem. Palavras oficiais são apenas “quase certezas” extraoficiais.  Muitos jogadores mal sabem o que é amor à camisa, apenas o que lhe “garante uma boa saúde financeira”. Nem dirigentes se preocupam com o resultado de sua empresa e da vida de seus funcionários, mas apenas com a sua imagem e a própria saúde financeira.

Existem sim jornalistas que merecem todo reconhecimento e credibilidade, assim como há clubes, dirigentes e jogadores que são fiéis ao seu profissionalismo e muitos outros que conhecem sim o termo “amor à camisa”. Eu sei que construíram o Cruzeiro Esporte Clube praticamente do nada, sei que um dos maiores jogadores da história do meu clube recebia um salário nem tanto extravagante para a época, mas era o suficiente e ainda quis se formar em Medicina, nunca dizendo aos quatro ventos que precisava de uma “vida financeira mais saudável”. Mas a cada dia que passa, essas são mercadorias raras no mercado da bola.

Eu sou apaixonada pelo mundo dos esportes, fanática por futebol, mas sinto muito… Tenho um certo nojo desse “mercado” – já que não se trata mais de “esporte” – não apenas sobre o que está por trás do Cruzeiro, mas de todos os outros envolvidos que nós, meros torcedores ficamos a mercê com nossa paixão. Esses torcedores só gostariam de assistir a um bom futebol em um domingo à tarde, mas vemos um circo preparado com tanta pompa, que às vezes enoja e pede mais atenção do que os acontecimentos dentro das quatro linhas. Lamentável.

Mas ainda estou aqui! Ainda amo esse esporte, ainda sou fanática e arrumarei a minha agenda para que todos os jogos se encaixem, ainda separarei meu dinheiro para uma camisa oficial, ainda confio que da nossa base sairão jogadores para o esporte e não para o mercado; ainda assim serei sócia do futebol para esperar o espetáculo dentro de um estádio que sempre fez meu coração bater mais forte. Ainda hei de esperar que as manchetes noticiem apenas sobre os 90 minutos dentro de um campo. Ainda.

Lembrando: #CruzeiroJAMAISrebaixado

Luciana Bois espera, além da transparência, ver um bom futebol na temporada que se inicia sem ter que ler reportagens investigativas sobre o mercado da bola.

 Nota: ontem o maior jogador de todos os tempos que, apesar de preferir ficar fora do alcance dos holofotes, tenho certeza que se orgulha muito da história que fez no Cruzeiro completou 65 anos. Parabéns Tostão e obrigada por tudo! Para você nossa eterna gratidão.

 Fotos: Lucas Bois

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