Torcida x Torcer – Os últimos 10 anos da torcida do Cruzeiro.

Esse ano muito tem me assustado o comportamento da torcida celeste. Temos mais sócios do que nunca, é verdade… mas está incrivelmente chato ser torcedor de arquibancada.

Vamos à análise cronológica dos fatos dos últimos 10 anos:

Cruzeiro x Santos de 2003 - R$ 5,00 para estudantes.

Cruzeiro x Santos de 2003 – R$ 5,00 para estudantes.

2003 – Vivendo em um mundo real: Por um time incrivelmente bom, ficamos acomodados com títulos e mais exigentes do que já éramos. Todos os anos posteriores já exigiam uma nova tríplice coroa como se fosse a coisa mais fácil do mundo. 2003 já faz 10 anos. Não ganhamos mais nada de importante, mas vivemos como grandes campeões. Tá, nossa história deixa. Mas sim, vivemos num salto alto como se fosse fácil conquistar isso todo ano e depois vem a reclamação do “por que esse time não deu certo?” e começa a ladainha.

2004Torcida2004 – Surge a geração Orkut: Debates acalorados e campanhas se formavam na rede social. Pouco mais tarde aparecia em peso os “cornetas”.

Cruzeiro x Fluminense de 2006 - Já apagou atrás, mas pelo pouco que se vê, foi R$ 5,00 para estudantes a arquibancada superior.

Cruzeiro x Fluminense de 2006 – Já apagou atrás, mas pelo pouco que se vê, foi R$ 5,00 para estudantes a arquibancada superior.

2006 – A teoria do apoio incondicional surge: Dia 26/04/2006 foi marcante pra torcida. Cruzeiro x Fluminense pela Copa do Brasil. Cruzeiro já vinha há anos como freguês do Fluminense e começou perdendo aquele jogo. E então surge a música “Vamos, Vamos Cruzeiro” e o Mineirão inteiro canta sem parar, inclusive no intervalo, aquela música que encantou a todos. Só quem estava lá – fui uma das sortudas – sabe da tamanha emoção. O time perdeu no final, mas a torcida saiu mais cheia de si do que nunca. E com certa razão… foi realmente sensacional. Daí veio o crescimento da TFC.

Cruzeiro x Corinthians de 2007 - R$ 7,50 Estudante - Portão 6

Cruzeiro x Corinthians de 2007 – R$ 7,50 Estudante – Portão 6

2007 – A divisão de “ideologia da torcida”: O ano começou com a proibição da cerveja já pro Campeonato Mineiro…

No jogo Cruzeiro x Corinthians dia 20/05/2007, o Cruzeiro perdia por 1×0 quando foi pro intervalo e uma parte da torcida vaiava, e outra impedia de vaiar. E então no intervalo aconteceu a coisa mais bizarra que já presenciei na minha vida: uns caras da Máfia Azul foram até a TFC para pegar os instrumentos deles. Sabe por quê? Porque “eles cantavam algo diferente da máfia azul e o pessoal, ao invés de acompanhar a CMA, apoiava a TFC”.  Sim, entre aspas porque essas palavras não são minhas, mas da discussão que ouvi. Eu ESTAVA lá e eles discutiram exatamente atrás de onde eu me sentei, até cuspe voou em mim da “conversa” dos dois. Ouvi a “conversa” todinha, todinha entre a Máfia e a TFC. Eu, meu pai, meu irmão, meu amigo… todos estão de prova da bizarrice que foi aquilo.

Desde então, a torcida se dividiu: a Máfia e sua teoria de “tudo” pelo Cruzeiro e a TFC com seu apoio incondicional. Ideologias extremas que fizeram com que muitos da torcida DESRESPEITASSEM os outros por não pensarem da mesma maneira que eles, tanto a Máfia quanto a TFC, sim senhores! Optei pela terceira alternativa: ser torcedora da 7A.

Se eu quiser xingar, eu xingo. Se quiser aplaudir, aplaudo. Se quiser ir, eu vou. Se quiser pagar, eu pago. Se quiser cantar, eu canto. Se quiser sentar, eu sento. Se não quiser, também faço nada.

Mas continuando a cronologia:

Cruzeiro x Boca Juniors 2008 - R$ 12,50 meia entrada portão 7A.

Cruzeiro x Boca Juniors 2008 – R$ 12,50 meia entrada portão 7A.

2008 – Cruzeiro volta a Libertadores: Eis que surge a Libertadores e uma hiperinflação nos preços do ingresso e a correria atrás deles. O publico no Mineirão mudava… aparecia gente com melhor poder aquisitivo (rica mesmo) e que ia por curiosidade de ver o Boca jogar. Até os torcedores do time rival. Verdade e carência deles. Também em 2008 começou a “era AB” dividindo a torcida em “anti-AB” x “mestre AB”.

Cruzeiro x São Paulo pela LA de 2009 - Não consegui ingresso nos outros setores... esse foi o valor pago pela cadeira especial R$ 70,00.

Cruzeiro x São Paulo pela LA de 2009 – Não consegui ingresso nos outros setores… esse foi o valor pago pela cadeira especial R$ 70,00.

2009 – Aiai…: Ápice do sócio do futebol (e muitos caloteiros)… Cruzeiro perde muitos sócios e muitos torcedores ficaram “desiludidos” (Já mandei estes catarem coquinho?) e somem. A torcida não era mais a mesma…

Cruzeiro x Goiás em 2010 - 1º Jogo na Arena do Jacaré - R$ 40,00 inteira.

Cruzeiro x Goiás em 2010 – 1º Jogo na Arena do Jacaré – R$ 40,00 inteira.

2010 – Fecha o Mineirão e abre o Twitter: Mudamos pra lonjura de Sete Lagoas, estádio acanhado pra 18 mil pessoas. Ia quem era guerreiro e mesmo assim fomos vice-campeões brasileiros.

2011 – Odeio este ano: mais uma desilusão e quase um desastre.

2012 – Volta pra Belo Horizonte: De volta pra BH, vamos ao Independência. Leve aumento do preço dos ingressos, mas casa quase sempre cheia e torcida empolgada. Dos 19 jogos que faríamos em casa, abaixa pra 13 pela suspensão em 6 jogos. Jogo contra o Santos (péssimo e que felizmente não fui) foi outro motivo da birrinha: torcida que aplaudiu Neymar x torcida que não aplaudiu Neymar. Sem contar no Marcelo Moreno… E os dois jogos saímos derrotados.

Sócio2013 – Volta do Mineirão: O Cruzeiro começa o ano com a reformulação no seu programa de sócio do futebol. Aumenta exageradamente os preços do ingresso em relação ao Independência pela fidelização da torcida.

Concluindo: O Mineirão voltou diferente… Tropeiro diferente, cadeiras numeradas, campo reduzido, estacionamento alterado, preço exagerado e o tal de assistir jogo sentado… Verdade que se ganhou em qualidade e em segurança, mas acabou excluindo muitos outros torcedores que nada tinham com isso. Muitas organizadas sumiram e vivem protestando, esquecendo até de torcer ou indo contra o próprio patrimônio. O torcedor mudou e a estrutura do futebol também. Mas compramos o ingresso sabendo dessas alterações. Claro que podemos lutar por uma melhora nas condições para o torcedor, mas se vamos a um jogo, não podemos esquecer de SER TORCEDOR, mesmo que tenha apenas 5 mil em campo.

Mas odeio cartilhas do “verdadeiro ou falso” torcedor.

Nós mudamos, o futebol mudou, mas o significado de “torcer” não pode mudar. Ainda podemos falar palavrões, chorar de alegria (ou tristeza), abraçar o outro na hora do gol, fazer música em homenagem à mãe do juiz, fazer “uhhhhh” em lances perigosos, levantar pra ver uma jogada melhor, apoiar e dar “puxões de orelha”… E se você se incomoda tanto com as regras novas vai deixar de torcer por causa disso? Eu pulo, xingo, grito, canto… Mesmo que ninguém ao meu lado faça o mesmo ou faça diferente. Será que por estar sentada, não podemos cantar? Perdemos a força pra pular na hora do gol? Só porque o camarada teve que sentar longe, não tem como torcer pelo time em campo? Vou ao campo pra ver o Cruzeiro. Se uma música acaba por ninguém acompanhar, daqui a pouco começa outra que pode dar certo. Já o jogo, não tem como reiniciar.

Eu quero que tenha torcida no campo, não avaliadores de comportamento alheio ou do tropeiro que comemos ou do lugar que sentamos. Não quero “antis” ou os “a favor”, quero torcedor.

Nota*: Para efeitos de comparação, o salário mínimo em 2003 era R$ 240,00 quando o menor valor do ingresso era R$ 5,00, em 2013 estamos com o valor de R$ 678,00 do salário mínimo e com o menor valor sendo R$ 30,00 do ingresso, 6x maior. E tudo aqui é o meu ponto de vista. =D

Luciana Bois

Crônica de um dia de festa: voltamos à BH!

Minha expectativa pra ir à Arena era grande a semana inteira… Desde quando recebi  o meu novo cartão do sócio, não sei quantas vezes eu lia aquela papelada, entrava no site do sócio e tal. Só pra ver se a hora passava rápido e ver novamente o Cruzeiro em BH, com a torcida dele, de verdade.

Foto: Vipcomm | Eu apareço aí, ein!

Eu fui ao primeiro jogo do Cruzeiro na Arena do Jacaré após o fechamento do Mineirão e esperava que no primeiro jogo no novo Independência também fosse ao menos parecido com aquele contra o Goiás. E realmente quase foi.

Belo Horizonte é especial, a torcida daqui é especial. Essa seria a diferença com a Arena do Jacaré.

Minha carona chegou aqui em casa era 16:50, todos com a expectativa tamanha que não parávamos de falar. E uma das maiores dúvidas era de como chegar até lá. Afinal, era a primeira vez de todos em um grande jogo no Independência. Antes até havíamos ido, mas não se compara ao que é hoje, ao esquema do trânsito, o grande fluxo de pessoas e tal.

Mais ou menos as 17:30 chegamos na Silviano Brandão e fomos subindo a pé a Pitanguy. A rua fechada para o trânsito, mas com um movimento de pessoas acima do normal era motivo de festa. Muitos à porta de suas casas só pra ver o movimento ou lucrar sobre vendas de camisas e cervejas.

O novo independência estava diante de nós. E a nossa volta uma torcida que cantava a todo momento, com uma felicidade até estranha, mas tão boa… só por poder ver o seu time de volta a BH.

A fila estava gigante pra entrar no estádio. Eram dois quarteirões de fila se espremendo para entrar por um portão. Duas filas para aquele mundo de pessoas? Tem que arrumar isso ai! Mas ainda assim era festa e motivo de risos e caras de bestas felizes na fila. Até engraçado, viu!

Quando passei pelo meu cartão na catraca (ahhhh que bom ser sócia) já estava lá, na próxima segunda casa com direito a zelador vip pelos próximos 6 meses.

 O Independência é bonito, algo que não tinha visto igual antes, bem cuidado (valeu zelador!), de bom gosto. Maaas com seus pequenos probleminhas: a cadeira é pequena pra quem é grande (que não é meu caso, mas pro moço que estava ao meu lado), a inclinação não é favorável para ver o campo inteiro e no resto, eu já não sei. Não fui ao banheiro, nem aos bares (Campanha #ConsumoZero em vigor).

Aliás, a campanha do #ConsumoZero estava até engraçada. Esses vendedores de água e picolé (R$ 5,00) estavam até sofrendo, coitados. Foi muito boa a hora em que um torcedor foi comprar uma água e muitos foram encima falando que a água era suja, tinham mijado lá dentro e não era a toa que o dinheiro ia pro Kalil. O torcedor entendeu a história e ficou com sede, mas não deu dinheiro ao galinho! Hahahhaha

Nos bancos havia a instrução e o papel para o mosaico, estava tudo bem escrito e explicado. Faltando 10 minutos pro jogo começar, o Raposão apareceu no campo, mas poucos repararam que ele fazia gestos para que a torcida se encaminhasse para o lado direito para completar o “C”, mas ao menos do lugar que eu estava, parecia que estava cheia.

 Todos a minha volta (além dos conhecidos, eu não sabia o nome de ninguém, mas conversava com todo mundo) comentávamos sobre a casa nova. E chegamos à mesma conclusão: estádio de verdade é o Mineirão, mas o Independência até que quebra o galho por um tempo.

Quando o time entrou em campo, assim como estava nas instruções, se formou o mosaico. A minha frente estava o mosaico “a la cachazeiros” que ficou muito bom! Queria até tirar foto, mas eu também estava embaixo do E, e não podia sair da formação. Seeentido! Um exército na torcida que obedecia às ordens para fazer uma boa festa!

Quando começou o jogo, era só festa nas arquibancadas, era tanta festa, que fingíamos ignorar a pressão que o Figueirense fazia no Cruzeiro. A cada erro do Pablo, que estava na lateral ao nosso lado, saía um grito: “Valeu Pablo!”, e a cada erro do Amaral era… “Leaaaaandro Guerreeeeeiro”. Assim que tem que ser!

Ao final do primeiro tempo, começou a cornetaiada, mas sério que à minha volta estava até engraçado. Vale retratar o que um moço atrás de mim gritava pro Wellington Paulista enquanto o Figueirense estava no ataque e o WP estava na banheira caído pra nossa lateral: “Ô Wellington Paulista!!! Fala pro Celso Roth tirar o Amaral… manda tirar o Wallyson que esta fazendo nada também.. e aproveita e… VAI JUNTOOO!”. Todo mundo em volta só na gargalhada, que mesmo na corneta, era festa.

No intervalo continuou a campanha do Consumo Zero, ao menos de todos que estavam ao meu lado, apenas um se levantou, sendo que foi para ir ao banheiro. O melhor foram os comentários desse moço ao voltar: “Até o banheiro lá de casa é maior que o daqui, PQP!” e também o “Aqui só vou fazer xixi… não vou dar lucro não, xixi é só prejuízo mesmo” hahahahahaha

Na volta ao segundo tempo, o time voltava ao campo e todos procuravam por Amaral. Quando ninguém o achou, era quase um gol comemorado pela torcida e quando se confirmou a substituição foi um grito de gol. =P

O time melhorou bastante com a entrada de Souza logo depois e com ele saiu o gol. Quando o meia fez a jogada anterior ao gol, nenhum olhar piscava mais. E quando a bola foi parar nos pés do Wellington Paulista, todo mundo parou de respirar naqueles segundos demorados do atacante e quando a bola entrou… ahhhh! Foi um grito como o Horto nunca havia visto antes! O atacante renegado pela torcida (e por mim também) mostrava que agora estamos de volta a BH, quase perto da nossa verdadeira casa e aqui, se não tem técnica, a torcida empurra!

Lá pros 40 minutos do jogo, parecia que aquilo não teria mais fim. O quase segundo gol do Cruzeiro, o quase gol do Figueira… mas o relógio cismava em não andar. A torcida estava toda apreensiva pro careca do árbitro dar o apito final e quando deu, outro gol a ser comemorado!

O Maior de Minas reestreava em sua cidade natal sem dar vexame de ser eliminado, sem precisar ganhar de virada e diante de uma torcida fiel.

O pessoal custava a ir embora, como se era obrigado a olhar a sua volta, respirar fundo e pensar: “enfim, de volta!”. No caminho para a rua, ninguém parava de cantar, no caminho pra casa, ninguém parava de buzinar.

Eu brinco que a torcida do galinho comemora cada vitória como título, mas essa do Cruzeiro, a torcida celeste comemorou como se fosse um título. Depois de dois anos e 14 dias fora de Belo Horizonte, um quase título Nacional e um quase rebaixamento, voltamos à cidade que nasceu e vive o espírito de campeão do Maior de Minas.

Obrigada Sete Lagoas, mas o Cruzeiro felizmente pertence a Belo Horizonte.

Luciana Bois

Para não dar bom dia a cavalo

Design Guilherme Prates

Com gestos e palavras, muitos essa semana esperam dar “bom dia ao cavalo”.

Mas uma pessoa corre desse quadrúpede e vem fazendo um bom trabalho: Alexandre Mattos.

O trabalho que ele vem desenvolvendo no Cruzeiro é de se admirar: não vem aparecendo na mídia, buscando muito a melhora do Cruzeiro, dando atenção à base, enxergando as deficiências do time, sem fazer todo o escarcéu que seus antecessores faziam e deixando a conversa apenas nos bastidores.

Todas as entrevistas do Alexandre são sensatas: não comenta o que tentou e fracassou, não diz “quem” deseja e nem cita “quem” pode sair. Se respeitarmos e se ele mantiver a postura que vem tendo, o Cruzeiro voltará a aparecer entre os grandes candidato em muitos campeonatos e apagará a má impressão que deixou na temporada passada.

Especula-se que o Mattos trará bons jogadores em certas posições, mas ninguém ainda soube dizer em público quem seriam. Apesar de a curiosidade atiçar a todos, isso é bom para o torcedor, além do que não possibilita que a imprensa crie uma “novela”.

pausapraconversa.blogspot.com

Muitas negociações são interferidas e conversas são prolongadas devido a esse fator. Quantos outros times gostariam de saber que esse ou aquele jogador está aberto para negociações?

Alguns torcedores sabem o que vem acontecendo, mas, pelo que percebo, todos estão respeitando o pedido do Alexandre Mattos. “Pena” que o papel do jornalista é futricar, descobrir, informar e muitos acabam dando como notícia a “possível” negociação, o que a pessoa tal “pensou” em fazer e tal. Caso você deseja saber alguma coisa, se apegue aos fatos: se concretizou, se desistiu, se emprestou… Pois pode acabar pensando que foi iludido ao final.

Essa tem que ser uma relação de confiança entre time e torcida, porque imprensa tem um trabalho muitas vezes cruel aos nossos olhos e o papel dela é noticiar, mesmo que não seja necessariamente “notícia”.

Eu não importo pra quem dá “furos”, essa briguinha por holofotes só dão preguiça pra quem não trabalha com jornalismo, porque creio que em meio a alguns deles isso seja a maior marca de notoriedade de seu trabalho. Não pela qualidade.

Principalmente uma imprensa que é “trollada” pelo nosso companheiro bloguerreiro Cruzeiro News ao vivo de maneira risória. Por que dar bola para eles?

Alex Silva e Sousa vieram sem nenhuma especulação ou novela anterior e foram, ao menos no papel, bons reforços. O Alexandre vem trabalhando (com qualidade) com o pedido de sigilo absoluto, temos que confiar e respeitar. Pelo bem do nosso time.

Aliás, mineiro bom é o que sabe comer quieto.

Sigam a bloguerreira no twitter: @LucianaBois

Direito de resposta!

O tempo e o Cruzeiro em campo deram uma resposta em meu nome…

Lembra de um texto que escrevi há quase exatos 4 meses atrás com o título “procurando pêlo em ovo com comparações”?!

Escrevi ele aqui no blog e o PC Almeida colocou no Bloguerreiro (acesse esse link pra ter acesso ao texto no Bloguerreiro) do Globo Esporte, recebi muitos comentários lá, sendo 70% críticas falando que era “perrelista”, que estava acomodada, que o time desse jeito iria brigar pra não cair e blábláblá…

Tenho até vontade de mandar uma palavra má educada pra essas pessoas, mas como o Cruzeiro ainda não ganhou nenhum título, não posso dizer nada disso.

Mas será que essas pessoas mudaram de opinião?

Vão continuar falando que o Leonardo Silva foi um grande reforço para o Atlético-MG?

Vão falar que Mancini foi um grande reforço pra eles? Que o Cruzeiro esta falido?

E olha, escrevi isso no dia 07/01:

“E o Cruzeiro tá falido é la na casa da mãe Joana (pra não falar outra coisa)! Se vende para não ir pelo caminho de uns atléticos da vida. Não contrata logo porque não há boas opções no mercado que valha o que pedem ou que não tenhamos que fazer absurdos. Se caso não concordem, quero ver seus argumentos aqui embaixo, por favor! Mas lembrando que alguém ainda irá chegar.”

Num é que chegou um tal de Victorino? Além do Brandão, que não posso dizer nada ainda, que nem conheço, mas que dizem que é reforço…

E ainda riram quando eu disse:

“Como se pode comparar um plantel que vem pra quarta Libertadores seguida com um outro que quer tomar surra numa quarta Copa do Brasil seguida? Como comparar o galinho ao Cruzeiro? Não gente! NÃO TEM COMO!”

Pode ser cedo pra afirmar que eu acertei nas previsões, mas ao menos nas constatações que não podiam comparar o Cruzeiro ao galinho, isso ai eu tenho certeza que fui feliz.

Muitos dos quase 230 comentários que recebi eu gostaria de ter dado uma resposta, mas o tempo e o Cruzeiro em campo se encarregaram disso por mim.

Vieram algumas pessoas falando para comparar ao elenco de outros times, que o Cruzeiro estava ladeira abaixo. Pra exemplificar, olhem esse comentário 19 do moço Marcos Richa:

Oi Luciana…. vc nao entende nada de futebol…. a torcida quando chia nao eh pq esta preocupada com o gaylo rosinha…. e sim com os verdadeiros adversarios do Zeiro…. FLU, Curintia, Santos, Inter, Gremio… sem falar no Estudiantes…. sao com estes que a gente vai jogar na Libertadores… olha o nivel destes times e as contratacoes q estao buscando…. parecem anos-luz a frente do nosso Zeiro…. ou vc acha q com este time ai vamos ser campeoes…. eh claro que nao….. o que esta perrelada ta querendo eh colocar o zeiro no limbo…. vagando eternamente entre o vice-campeonato e as quartas-de-final….. nunca vai ser campeao com esta mentalidade… PRESTA ATENCAO…. vamos cobrar deles sim…. ou deem lugar para outros mais competentes e ambiciosos….

Então gostaria de deixar bem claro para todos: nunca vou torcer contra o Cruzeiro. Não vou exaltar apenas os problemas. Eu acreditava e acredito nesse time.

Eu não digo que seremos campeões, mas nunca afirmarei que temos um time pra cair como tantos outros em conclusões precipitadas.

Não sou iludida querendo que meu time seja um Barcelona, mas gosto de analisar os fatos antes de jogar pedras.

Luciana

O Estatuto do Torcedor e o Clássico

Essa semana no programa “Bastidores” da Itatiaia, a Justiça Desportiva usou o Estatuto do Torcedor para questionar a decisão pela torcida única no Clássico. Porém, usando o mesmo Estatuto, é possível apoiar bem mais a favor da decisão tomada pelos dirigentes dos clubes.

Vamos à análise:

Art. 1o-A.  A prevenção da violência nos esportes é de responsabilidade do poder público, das confederações, federações, ligas, clubes, associações ou entidades esportivas, entidades recreativas e associações de torcedores, inclusive de seus respectivos dirigentes, bem como daqueles que, de qualquer forma, promovem, organizam, coordenam ou participam dos eventos esportivos. (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

O primeiro argumento – e o mais forte – para que tenha a torcida única seria com o objetivo de evitar a violência entre as duas torcidas.

Quando se lê no estatuto “a prevenção da violência nos esportes é de responsabilidade do poder público”, alguém confia? Quando se vê alguém assassinado por defender sua agremiação na porta de uma casa de shows com pancadas na cabeça por um bando de 30 pessoas, confiaria que a mesma polícia que deveria ter evitado essa morte vai prevenir alguma violência em um estádio pacato aonde iria cerca de 7 mil pessoas para cada torcida?

Eu não.

Art. 2o Torcedor é toda pessoa que aprecie, apóie ou se associe a qualquer entidade de prática desportiva do País e acompanhe a prática de determinada modalidade esportiva.

Muitas pessoas não se contentam em apenas “apreciar, apoiar, associar ou acompanhar”, mas precisam depredar, ameaçar, matar… O significado de ser torcedor está sendo distorcido ultimamente. Esses não são considerados torcedores, mas usam bastante essa desculpa.

Art. 2o-A.  Considera-se torcida organizada, para os efeitos desta Lei, a pessoa jurídica de direito privado ou existente de fato, que se organize para o fim de torcer e apoiar entidade de prática esportiva de qualquer natureza ou modalidade.  (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

O que comentar sobre isso? Fique à vontade.

O capítulo IV desse Estatuto trata-se “da segurança do torcedor partícipe do evento esportivo”. Novamente o poder da segurança pública entra em prova, a qual não sai com uma nota muito boa.

Algumas partes importantes:

Art. 13. O torcedor tem direito a segurança nos locais onde são realizados os eventos esportivos antes, durante e após a realização das partidas

Art. 14. Sem prejuízo do disposto nos arts. 12 a 14 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, a responsabilidade pela segurança do torcedor em evento esportivo é da entidade de prática desportiva detentora do mando de jogo e de seus dirigentes, que deverão:

I – solicitar ao Poder Público competente a presença de agentes públicos de segurança, devidamente identificados, responsáveis pela segurança dos torcedores dentro e fora dos estádios e demais locais de realização de eventos esportivos;

Art. 17. É direito do torcedor a implementação de planos de ação referentes a segurança, transporte e contingências que possam ocorrer durante a realização de eventos esportivos.

Os dirigentes do Cruzeiro e do Atlético entraram em consenso com os órgãos de segurança pública e assim decidiram que a melhor decisão foi a de ter torcida única, por que questionar?

Quando se questiona se um clube infringe ou não o Estatuto do Torcedor, devemos olhar para todos os lados. Onde a torcida cumpre seu papel? E o poder público?

Sou a favor das duas torcidas, mas no Mineirão.

Ainda tem esse pequeno item aqui no Estatuto do Torcedor que foge um pouco do assunto:

Art. 30. É direito do torcedor que a arbitragem das competições desportivas seja independente, imparcial, previamente remunerada e isenta de pressões.

Realmente, essa eu prefiro nem comentar!

Eu não sou formada em direito e nada disso, mas eu vivo nessa realidade aqui e sei que falta muito pra isso tudo ser respeitado.

Se quiserem ler mais sobre o Estatuto do Torcedor, leia a lei aqui.

Luciana

Cruzeiro em 2011 – Qual seria a solução?

Não há manual, mas está correta a atitude de muitos cruzeirenses?

Comodismo é ruim e etc e tal, mas é correto o torcedor se preocupar em apenas reclamar?

Quando escrevi o texto clamando por não comparações com o Atlético, muitos me chamaram de “perrelista”, mas com argumentos fajutos.

O apoio incondicional é taxado de besta, mas a corneta incondicional é bem mais mala.

O cruzeirense ultimamente sofre de Imediatiti aguda, aquela que logo quer a solução, mas não quer ajudar a solucionar. Tá… sei que não somos presidentes e essas coisas assim. Mas se querem condenar, por que não apontam uma solução?

Resumo do pensamento de alguns: “Queremos o título, mas precisamos de um time forte… até que o nosso é, mas precisa de um centroavante e de um lateral, mas quem é bom que está no mercado? Ah não.. precisa de muito dinheiro pra investir nos melhores, mas o presidente mão de vaca não gosta de gastar ou será que estamos sem dinheiro? O que gera mais receita pro clube? Bem que poderiam usar a torcida pra gerar receita, mas teria que ir mais aos jogos e adquirir mais produtos oficiais?! Ah não… então é mais fácil xingar o presidente…”

Outro sintoma de Imediatite Aguda também se diz respeito à ilusão em relação ao vizinho: uns amam enxergar que a grama dele é mais verde que a própria, mesmo que seja um terreno de solo seco. Mas sobre isso já disse anteriormente…

Se muitos apenas levantam o dedo indicador para apontar os erros e clicar no mouse para fazer protesto sobre a situação, por que não utilizar o mesmo pra tentar correr atrás de uma solução?! Isso sim é uma maneira correta de protestar, de reclamar. Tente inventar projetos, exaltar nossa história, ir ao campo, comprar produtos oficiais, participar da vida do clube como der… não apenas protestar.

Se dê o direito de protestar, mas agindo como torcedor.

“Nossa torcida, nossa força” Será que a força do ‘reclamar’ apresentará reforços?

Certamente espero alguns comentários “mas isso não diz se sou mais torcedor ou não”, “não tenho dinheiro para isso”, “mas eu já sou assim”. Tá beleza… eu não digo que é errado reclamar, mas sim APENAS reclamar, mas qual seria a solução para vocês?

Eu apontaria a mudança no modo de gestão, investimentos em projetos no marketing para atrair maior torcida e, consequentemente, maior receita, maior mídia, maior respeito à camisa e maior patrocínio. Mas isso é em longo prazo e para agora gostaria de uma contratação ousada, mas não louca, basta o marketing (novamente ele) saber usar isso para ter um bom retorno.

Acho que ser torcedor é saber ser sensato entre a corneta e o comodismo.

Podem discordar a vontade, minha opinião não é a certeza absoluta, mas argumente por favor.

Luciana

As novas ‘espécies’ de torcedor

A cultura da reclamação sem limites e sem resultados, e da especulação sem fundamento parecem ser a voz de grande parte dos torcedores nesta época do ano. A velha máxima de que ‘todo brasileiro é metido a entender de futebol’, é perpetuada dia após dia, a cada cidadão autêntico nascido nessas terras.

Menino já sabe desde cedo do que gosta. Quer bola de capota e camisa com escudo. Quer que o time ganhe pra zoar os colegas no colégio. Quer ser boleiro, mas se não nasceu com o talento, aprende todas as regras e deseja se tornar jornalista esportivo. Pratica narrando futebol de botão, sinuca, totó. Todo pai, tio, primo e irmão mais velho sabe como guri é chato. Mas quem sabe um dia o moleque cresce, e aparece?

Talvez Gigliotti, José Silvério, João Saldanha, Osmar Santos, Sílvio Luiz, Fernando Sasso, Milton Leite e tantos outros sejam frutos da insistência. O que acontece, porém, quando a pessoa AMA futebol e nele não se realiza profissionalmente, nem dentro nem fora do campo? Ou adquire para si um clube de futebol, ou assume a postura de torcedor, certo? Pois é aí que nos enquadramos e que tudo tem começado a ficar irritante.

Futebol é paixão, uma catarse. É preciso ir ao estádio, entoar o grito de guerra, sentir a vibração dos iguais, torcer. A alma sai coarada, tinindo de tão alva, os sapos engolidos são digeridos em 90 minutos. Juiz, atacantes, o técnico: a mãe ‘imaginária’ de todos eles usufrui experimenta momentos irracionais. E assim vamos o Campeonato inteiro. Analisando, criticando, comemorando, reclamando… OPA, reclamando!

Reclamar! Culturalmente brasileiro só reclama em casa, nem sabe o que é Procon. Fala mal do governo, dos preços abusivos, do vizinho, da vida alheia, mas só em casa. Ah, e reclama de votar. E agora o torcedor de futebol tem feito o mesmo. Pré- temporada, o adversário contrata e o seu Clube não, e ele começa a reclamar aonde? Na internet, ‘a sua casa’. Desde o momento em que acorda até quando vai se deitar.

É o novo fenômeno virtual: o ‘torcedor-chorão’ e o ‘torcedor bola de cristal’. O primeiro se lamuria e o outro ‘planta’ contratações. Sabe tudo. Mais que os jornalistas que estão acompanhando o dia a dia do Clube. Ele tem ‘contatos’ que lhe passam informações em primeira mão, tem blogs. Imagino que o objetivo do mesmo seja ter 15 minutos de fama em algum veículo de comunicação, ou quem sabe ser contratado, já que para ser jornalista nem precisa estudar mais, não é? E os demais torcedores repetem o que eles dizem, infinitamente, num eco sem fim. E quanto aos jornais e veículos de informação oficiais/profissionais? Perderam a serventia. Viva os juvenis, os chutes, o amadorismo! Brasileiro gosta mesmo é de fofoca.

A lição que fica é que o Futebol era para ser divertido. Somos torcedores, lembram-se? O interessante é que esse é só mais um sinal de que as pessoas não se importam com ‘os ecos de suas atitudes’ e se tornaram inconvenientes e espaçosas. Seja pela curiosidade, pela pretensão em ‘acertar seus chutes’, pela insatisfação com o Presidente do Clube (que sequer sabe o que acontece na rede) ou por não saber o que fazer das suas tão merecidas férias.

Ah, o ócio criativo. Feliz de quem sabe o que é.

Lílian