Quarteto de oito.

Lá se foi a estreia do quarteto-fantástico do Cruzeiro de 2013. Boa estreia, bons gols, bom jogo. Maaas… dificilmente teremos a repetição desse quarteto já pra esse domingo e para muitos jogos durante o ano.

WayClaro que gostaria que, de tão certo, fossem intocáveis. Mas essa não é a realidade pelo atual histórico destes jogadores.

Borges já é duvida por ter sentido a coxa. Constantemente Dagoberto faz um trabalho a parte com o preparador físico e essa semana foi a vez do Diego Souza ter sua parte física em observação.

Salvo fica Everton Ribeiro, com apresentações regulares e presente em todos os jogos do ano, mas que se diz mais confortável jogando como armador – posição cativa de Diego Souza, não caindo pelos lados como é colocado pelo Marcelo Oliveira, mas que mesmo assim vai indo bem.

Quando temos um desfalque no quarteto, o banco aguenta firme: Élber, Vinicius Araújo e Alisson tem dado conta do recado. E acho que, provavelmente, Ricardo Goulart também aguentaria.

Muito se discute que as mudanças do Marcelo Oliveira, mesmo sendo no Campeonato Mineiro, podem afetar a evolução e o entrosamento para esse grupo. Eu já vejo de forma diferente…

A constante alteração da parte ofensiva do Cruzeiro pode também aumentar o entrosamento com o elenco dos suplentes, podendo alterar a dinâmica do jogo, mas sem comprometer a qualidade do time. Fato que é de suma importância para os diversos adversários e cenários que podemos enfrentar.

Com estes suplentes sendo sempre acionados, tanto para substituir os titulares antes ou durante os jogos, o Cruzeiro não se torna um time que se pode prever ao assistir a “fita”. Nem é um daqueles times que se diz “com o Dagoberto sem condições de jogo, teremos maior facilidade…”.

Depois de alguns anos acostumando com um jogador chamando atenção no meio campo – Montillo – ou apenas uma referência no ataque – talvez o último tenha sido Kleber, ter um elenco que se possa dizer “se o Élber entrar, a velocidade pelo lado direito pode beneficiar o time com as inversões com tal jogador” é de se exaltar. Se a torcida já pode “prever” o que acontecerá em um jogo com certa alteração, acho provável que os jogadores saibam já como portar a cada situação.

Apesar das reclamações das constantes alterações, a torcida já sabe como fica o jogo com os “suplentes” em campo. E creio que os jogadores também.

Não temos um “quarteto mágico”, mas um “quarteto de oito” que pode ser mágico.

* Parabenizo aqui a comissão técnica. Gosto do trabalho que estão fazendo com os jogadores que vinham de contusão ou cirurgia, no casos do Henrique, Léo, Borges, Lucca ou como o Diego Souza e Dagoberto, que estava muito tempo sem jogar. Atenção especial pra cada um, tanto com nutricionista quanto com os preparadores físicos. Levam com zelo a frase: “não passar o carro na frente dos bois”. Dê tempo ao tempo e colheremos tudo em dobro.

Luciana Bois

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Marcelo Oliveira: bom senso no comando.

Futebol é engraçado, né? Quando não tem elenco é complicado e quando se tem um bom elenco também é complicado.

Muitos reforços para 2013 - Foto: Washington Alves | Vipcomm

Muitos reforços para 2013 – Foto: Washington Alves | Vipcomm

Não é só esse começo do ano, mas todo o elenco do Cruzeiro tem um histórico de contusões bem grande… inclusive bons jogadores: Martinuccio, Borges, Dagoberto, Henrique (nos dois últimos anos), Victorino, Leo… e por ai vai. Os chinelinhos também.. (melhor não citar).

E ainda há os que gostam de cartão, como o Guerreiro, o Anselmo Ramon e por ai vai…

O Marcelo tem cara de ser um técnico que não dá regalias por causa de nome. Desde já, a escolha do Marcelo Oliveira se baseia em “quem está melhor e tem condições que vai a campo”.

Foto: Washington Alvez | Vipcomm

Foto: Washington Alvez | Vipcomm

Pelo andar da carruagem no futebol, será fácil todos terem oportunidade. E isso é bom até pra aumentar o rendimento dos próprios jogadores. Por exemplo: a zaga não teve reforço de peso, mas nos coletivos eles não enfrentam um WP, mas Borges, Luan, Vinicius Araújo – que vão querer mostrar serviço… Já nos treinos, eles (nessa situação: a zaga e os atacantes) são obrigados a melhorar bem a qualidade!

Neste sábado, o garoto Vinicius Araújo nem sabia se seria relacionado e muito menos se entraria em campo. Soube aproveitar a oportunidade que teve ao substituir o Anselmo Ramon, que havia machucado logo no primeiro tempo. Marcou gol, deu assistência e foi fundamental. Um jogo oficial bastou pra aumentar a dúvida pro Marcelo Oliveira.

No inicio do ano, entrei em um debate sobre o aproveitamento dos garotos da base. Defendia que não precisava de regalias para que pudessem ser aproveitados e deveriam ser observados de igual para igual, assim como todo o elenco. A oportunidade iria aparecer e bastava para eles saber como aproveitar.

Como foi para Vinicius Araújo e para Élber, que entrou pra desafogar o lado direito e tirar a falta de ritmo do medalhão Diego Souza de campo, grandes jogadores conseguiram as oportunidades em jogos assim contra uma Tombense da vida.

Vinicius Araújo e Élber - Foto: Alexandre Guzanche | EM

Vinicius Araújo e Élber – Foto: Alexandre Guzanche | EM

Em entrevista*, Tostão relata:

“O Cruzeiro tinha contratado Hilton Chaves, Brandãozinho e Fiapo, para montar o meio-de-campo para a temporada de 64. Eu e o Piazza éramos reservas e tínhamos poucas chances. Cheguei a estrear num jogo à noite no Barro Preto, mas ficou nisso. Sem uma sequência de jogos não dava para ganhar uma sequência no time. Mas os titulares foram sofrendo contusões, e eu e o Piazza entramos […].”

Com o Cruzeiro dos últimos anos não deveria ser diferente e o técnico Marcelo Oliveira deu seu recado em suas primeiras entrevistas deste ano: “entra quem estiver melhor”. De fato, é o que vem acontecendo, tanto para medalhões quanto para os oriundos da base.

Borges não tinha condições plenas pra jogo. Pra quê colocar o moço se ele ainda está 80%? Pra diminuir para os 60% e demorar um pouco mais pra se recuperar?

Estamos no campeonato mineiro… tempo para descobrir, entrosar e arrumar o time para campeonatos melhores e fases mais decisivas. É bom ver que o Anselmo Ramon, apesar dos “2” gols marcados em três jogos, sente medo de perder seu lugar no time. Fato que relata o contrário de quando havíamos o Wellington Paulista como camisa 9.

Outro caso relevante para esse início de temporada é a falsa sensação que goleadas trazem. Prefiro ganhar apertado jogando bisonhamente agora para corrigir os erros do que golear mascarando o que tem de errado e perder bisonhamente depois, assim como o Marcelo Oliveira disse em entrevista.

As entrevistas do Marcelo Oliveira estão sempre sensatas e de acordo com o que se espera do “professor”. Se mantiver a postura no que diz e no que faz, ele saberá conduzir esse bom elenco para o resto da temporada, e o que hoje é visto como “problema” terá uma boa solução.

*Entrevista retirada do livro “Página Heroicas – Onde a Imagem do Cruzeiro Resplandece”, 2003, DE Jorge Santana.

Luciana Bois