45.011 Guerreiros

Hoje eu tive um sonho muito… nem tenho palavras ainda pra descrever que até agora não entendi.

Já sonhei que pulei de um abismo, que um avião tinha batido no meu prédio e a turbina agarrou no meu quarto (quando acordei, percebi que o barulho da turbina estava lá e me deu medo. Depois fui ver que era o ventilador), já sonhei com viagens para Siena, Japão, África do Sul… Então.. voltando ao assunto: hoje meu sonho merece ser escrito.

Viajei para o dia do clássico. A cidade acordou diferente. O céu estava mais azul que o normal e apenas uma parte da cidade estava feliz, a outra tinha raiva.

Era meio dia e os carros começaram a sair de casa indo pra região da Pampulha. Já havia um grande congestionamento no Anel Rodoviário, mas não se ouvia nada. Todos olhavam pra frente, sérios. Vestidos de azul, mas sem ver o outro azul ao lado.

Chegando na Pampulha, muitos se direcionavam à Toca da Raposa II e outros se acumulavam em frente ao Mineirão.

A esplanada vivia um mar azul. Mas todos ainda sérios.

Mal se ouvia conversas, nem cerveja se bebia direito. Havia apenas latinhas amassadas jogadas na rua. Talvez quisessem beber, mas a raiva fez com que a latinha fosse amassada, não ingerida.

Na esplanada no Mineirão se ouvia murmúrios e parava por ai. Em vários cantos pessoas se acumulavam. Como frotas que se preparam para se juntar em uma batalha. Havia potes de tinta guache e pintavam o rosto com duas linhas.

- Pronto pra guerra? – Dizia o pai para o filho.

As vozes começavam a aparecer, não em bom tom, mas em alto tom pra cima daqueles que riam e vestiam preto e branco. Mal sabiam que aquela era o traje pro luto que viria a seguir.

Quando entramos no estádio, era silêncio absoluto por um lado e festa lá embaixo.

De repente, o silêncio foi parado. Lá de fora ouvia um canto, forte como nunca tivesse sido ouvido no Mineirão, mas ainda não era no Mineirão, ela lá fora.

Passou 50 minutos e se ouvia festa apenas na parte que daqui a pouco estaria de luto. E então entra o árbitro. Na parte silenciosa, se ouvia o barulho das cadeiras voltando ao lugar, todos se levantavam, quase para bater continência ao árbitro, mas não… estavam a espera do que ia vir.

De repente, subiram correndo 11 jogadores de um lado e outros 11 guerreiros do outro. Os jogadores eram sorrisos e iam até à sua pequena torcida para ser saudados e até receber a veneração daqueles de preto. Tolos…

A parte azul começava a entoar um canto que repetia, repetia, repetia… e a cada vez, ficava bem mais alto. Os guerreiros se posicionavam com a cabeça erguida e olhar para frente, encarando sem encarar. Concentrando.

Todos a posto.

Frio na barriga.

Juiz apita.

E eis que todos viram testemunha de uma coisa estrondosa.

Parecia guerra. Era guerra.

Como em filmes de guerra medieval, aquelas caras com cara raivosa em campo – os guerreiros – encaravam os jogadores como se não tivessem dó e apertavam os olhos mirando no objetivo. A veia pulsava mais forte. Sabíamos que o mar azul era maior, mas lá fora, éramos desprezados.

E alguém na arquibancada gritou. Puxou todo o ar e gritou.

“Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh”

Era o sinal. Em outra língua, era o sinal de atacar.

E 45.000 pessoas seguiram o grito.

Era tão estrondoso, que o concreto balançava. Os que estavam de preto, dentro e fora do campo, sentiam medo e reconheciam a cor de luto. Estavam indefesos no meio de uma guerra defendendo uma meta. E todos os 45.011 guerreiros foram pra cima.

05:50. Meu despertador tocou.

O prazer do futebol: Pelo Cruzeiro e pelo impossível.

UEFA

Não, não. O Cruzeiro não trata sempre do impossível, mas gosto do impossível. Meu amor pelo Cruzeiro é daqueles que nem a alma entende direito, de todas as situações e para todas as horas.

Mas (também) torço pelo impossível.

Gosto de futebol: o esporte que faz dos homens, meninos e dos mesmos meninos, serem clamados como guerreiros.

Quando paro em frente a TV, gosto de assistir futebol de qualquer parte do planeta por ser o futebol e pra ver aquele “quase” impossível.

Não tenho times B ou locais para outras regiões. Mas tenho um grande apreço pelo impossível. (Não é o caso de ser torcedora do atlético mineiro, mas pelo resto impossível mais possível hehe)

A graça do futebol aparece ai. Quando ninguém espera, quando o previsível passa longe do acontecido. É a batalha dos aflitos, a falta do Joãozinho, o Fluminense de 2009, o Palmeiras na Libertadores desse ano, o Cruzeiro na final da Copa do Brasil de 2000 e hoje, o Bayern ter ganhado num placar acumulado por 7×0 do grande Barcelona… Eis porque amo esse esporte! Sem fórmulas mágicas, sem comodismos. Joga-se com o “regulamento de baixo do braço” só depois que correu atrás do gol pra poder chegar nessa situação.

Esse é o motivo de ter gostado ainda mais de 2003 (além do motivo óbvio de ser o Cruzeiro), tinha aquela vontade de ver o meu time ganhando tudo enquanto os comentaristas diziam “mas é o Santos”, “mas é o Flamengo”… ahhhh! Aqui é Cruzeiro, e daí se é Santos ou Flamengo?

Futebol é lindo! É o motivo para ter rodas de conversa todos os dias, mas sem saber até onde vai essa conversa. É a luta por vencer o previsível e se tornar realidade.

É entender que “tropeiro”, “borderô”, “corneta” e “imagina na copa” pode ter um sentido maior que o literal. Coisa de gente maluca e com nada pra fazer. Mas ainda assim, discute isso e deixa seus adeptos sentados em frente a tv em pleno feriado do dia do trabalhador numa quarta feira.

Verdade que gosto de torcer pelos que estão atrás do placar e me divirto vendo goleadas. Não é contradição. Mas é que quando o time “relaxa”, fica sem futebol. Quando o outro busca o empate, temos um futebol. Eis o prazer do bom futebol!

Se bem que o Cruzeiro goleou o Villa Nova e supliquei por mais um tempo. Além de ser o Cruzeiro – que vem em primeiro lugar no futebol, claro! – estava ali um bom futebol do meu clube que não se via a tempos.

Sinto muito pela final da Champions, mas meu gosto pelo impossível vem em segundo lugar, que em primeiro está o Cruzeiro. Torcer pelo Bayern ou pelo Borussia ainda não entrou em cogitação.

Neste caso, torcerei sempre pro outro time buscar o empate e ser empate eterno, ao menos teremos um bom futebol (e nenhum deles merece ganhar – recalque). É… futebol.

O Goleiro

RaulTambém chamado de porteiro, guarda-metas, arqueiro, guardião, golquíper ou guarda-valas, mas poderia muito bem ser chamado de mártir, vítima, saco de pancadas, eterno penitente ou favorito das bofetadas. Dizem que onde ele pisa, nunca mais cresce a grama.

É um só. Está condenado a olhar a partida de longe. Sem se mover da meta aguarda sozinho, entre as três traves, o fuzilamento. Antigamente usava uniforme preto, como o árbitro. Agora o árbitro já não está disfarçado de urubu e o arqueiro consola sua solidão com fantasias coloridas.

Não faz gols. Está ali para impedir que façam. O gol, festa do futebol: o goleador faz alegrias e o goleiro, o desmancha-prazeres, as desfaz.

Carrega nas costas o número um. Primeiro a receber? Primeiro a pagar. O goleiro sempre tem a culpa. E, se não tem, paga do mesmo jeito. Quando qualquer jogador comete um pênalti, quem acaba sendo castigado é ele: fica ali, abandonado na frente do carrasco, na imensidão da meta vazia. E quando o time tem um dia ruim, quem paga o pato é ele, debaixo de uma chuva de bolas chutadas, expiando os pecados alheios.

Os outros jogadores podem errar feio uma vez, muitas vezes, mas se redimem com um drible espetacular, um passe magistral, um tiro certeiro. Ele, não. A multidão não perdoa o goleiro. Saiu em falso? Catando borboleta? Deixou a bola escapar? Os dedos de aço se fizeram de seda? Com uma só falha, o goleiro arruína uma partida ou perde um campeonato, e então o público esquece subitamente todas as suas façanhas e o condena à desgraça eterna. Até o fim de seus dias, será perseguido pela maldição.

Eduardo Galeano

(Futebol ao sol e à sombra)

Torcida x Torcer – Os últimos 10 anos da torcida do Cruzeiro.

Esse ano muito tem me assustado o comportamento da torcida celeste. Temos mais sócios do que nunca, é verdade… mas está incrivelmente chato ser torcedor de arquibancada.

Vamos à análise cronológica dos fatos dos últimos 10 anos:

Cruzeiro x Santos de 2003 - R$ 5,00 para estudantes.

Cruzeiro x Santos de 2003 – R$ 5,00 para estudantes.

2003 – Vivendo em um mundo real: Por um time incrivelmente bom, ficamos acomodados com títulos e mais exigentes do que já éramos. Todos os anos posteriores já exigiam uma nova tríplice coroa como se fosse a coisa mais fácil do mundo. 2003 já faz 10 anos. Não ganhamos mais nada de importante, mas vivemos como grandes campeões. Tá, nossa história deixa. Mas sim, vivemos num salto alto como se fosse fácil conquistar isso todo ano e depois vem a reclamação do “por que esse time não deu certo?” e começa a ladainha.

2004Torcida2004 – Surge a geração Orkut: Debates acalorados e campanhas se formavam na rede social. Pouco mais tarde aparecia em peso os “cornetas”.

Cruzeiro x Fluminense de 2006 - Já apagou atrás, mas pelo pouco que se vê, foi R$ 5,00 para estudantes a arquibancada superior.

Cruzeiro x Fluminense de 2006 – Já apagou atrás, mas pelo pouco que se vê, foi R$ 5,00 para estudantes a arquibancada superior.

2006 – A teoria do apoio incondicional surge: Dia 26/04/2006 foi marcante pra torcida. Cruzeiro x Fluminense pela Copa do Brasil. Cruzeiro já vinha há anos como freguês do Fluminense e começou perdendo aquele jogo. E então surge a música “Vamos, Vamos Cruzeiro” e o Mineirão inteiro canta sem parar, inclusive no intervalo, aquela música que encantou a todos. Só quem estava lá – fui uma das sortudas – sabe da tamanha emoção. O time perdeu no final, mas a torcida saiu mais cheia de si do que nunca. E com certa razão… foi realmente sensacional. Daí veio o crescimento da TFC.

Cruzeiro x Corinthians de 2007 - R$ 7,50 Estudante - Portão 6

Cruzeiro x Corinthians de 2007 – R$ 7,50 Estudante – Portão 6

2007 – A divisão de “ideologia da torcida”: O ano começou com a proibição da cerveja já pro Campeonato Mineiro…

No jogo Cruzeiro x Corinthians dia 20/05/2007, o Cruzeiro perdia por 1×0 quando foi pro intervalo e uma parte da torcida vaiava, e outra impedia de vaiar. E então no intervalo aconteceu a coisa mais bizarra que já presenciei na minha vida: uns caras da Máfia Azul foram até a TFC para pegar os instrumentos deles. Sabe por quê? Porque “eles cantavam algo diferente da máfia azul e o pessoal, ao invés de acompanhar a CMA, apoiava a TFC”.  Sim, entre aspas porque essas palavras não são minhas, mas da discussão que ouvi. Eu ESTAVA lá e eles discutiram exatamente atrás de onde eu me sentei, até cuspe voou em mim da “conversa” dos dois. Ouvi a “conversa” todinha, todinha entre a Máfia e a TFC. Eu, meu pai, meu irmão, meu amigo… todos estão de prova da bizarrice que foi aquilo.

Desde então, a torcida se dividiu: a Máfia e sua teoria de “tudo” pelo Cruzeiro e a TFC com seu apoio incondicional. Ideologias extremas que fizeram com que muitos da torcida DESRESPEITASSEM os outros por não pensarem da mesma maneira que eles, tanto a Máfia quanto a TFC, sim senhores! Optei pela terceira alternativa: ser torcedora da 7A.

Se eu quiser xingar, eu xingo. Se quiser aplaudir, aplaudo. Se quiser ir, eu vou. Se quiser pagar, eu pago. Se quiser cantar, eu canto. Se quiser sentar, eu sento. Se não quiser, também faço nada.

Mas continuando a cronologia:

Cruzeiro x Boca Juniors 2008 - R$ 12,50 meia entrada portão 7A.

Cruzeiro x Boca Juniors 2008 – R$ 12,50 meia entrada portão 7A.

2008 – Cruzeiro volta a Libertadores: Eis que surge a Libertadores e uma hiperinflação nos preços do ingresso e a correria atrás deles. O publico no Mineirão mudava… aparecia gente com melhor poder aquisitivo (rica mesmo) e que ia por curiosidade de ver o Boca jogar. Até os torcedores do time rival. Verdade e carência deles. Também em 2008 começou a “era AB” dividindo a torcida em “anti-AB” x “mestre AB”.

Cruzeiro x São Paulo pela LA de 2009 - Não consegui ingresso nos outros setores... esse foi o valor pago pela cadeira especial R$ 70,00.

Cruzeiro x São Paulo pela LA de 2009 – Não consegui ingresso nos outros setores… esse foi o valor pago pela cadeira especial R$ 70,00.

2009 - Aiai…: Ápice do sócio do futebol (e muitos caloteiros)… Cruzeiro perde muitos sócios e muitos torcedores ficaram “desiludidos” (Já mandei estes catarem coquinho?) e somem. A torcida não era mais a mesma…

Cruzeiro x Goiás em 2010 - 1º Jogo na Arena do Jacaré - R$ 40,00 inteira.

Cruzeiro x Goiás em 2010 – 1º Jogo na Arena do Jacaré – R$ 40,00 inteira.

2010 – Fecha o Mineirão e abre o Twitter: Mudamos pra lonjura de Sete Lagoas, estádio acanhado pra 18 mil pessoas. Ia quem era guerreiro e mesmo assim fomos vice-campeões brasileiros.

2011 – Odeio este ano: mais uma desilusão e quase um desastre.

2012 – Volta pra Belo Horizonte: De volta pra BH, vamos ao Independência. Leve aumento do preço dos ingressos, mas casa quase sempre cheia e torcida empolgada. Dos 19 jogos que faríamos em casa, abaixa pra 13 pela suspensão em 6 jogos. Jogo contra o Santos (péssimo e que felizmente não fui) foi outro motivo da birrinha: torcida que aplaudiu Neymar x torcida que não aplaudiu Neymar. Sem contar no Marcelo Moreno… E os dois jogos saímos derrotados.

Sócio2013 – Volta do Mineirão: O Cruzeiro começa o ano com a reformulação no seu programa de sócio do futebol. Aumenta exageradamente os preços do ingresso em relação ao Independência pela fidelização da torcida.

Concluindo: O Mineirão voltou diferente… Tropeiro diferente, cadeiras numeradas, campo reduzido, estacionamento alterado, preço exagerado e o tal de assistir jogo sentado… Verdade que se ganhou em qualidade e em segurança, mas acabou excluindo muitos outros torcedores que nada tinham com isso. Muitas organizadas sumiram e vivem protestando, esquecendo até de torcer ou indo contra o próprio patrimônio. O torcedor mudou e a estrutura do futebol também. Mas compramos o ingresso sabendo dessas alterações. Claro que podemos lutar por uma melhora nas condições para o torcedor, mas se vamos a um jogo, não podemos esquecer de SER TORCEDOR, mesmo que tenha apenas 5 mil em campo.

Mas odeio cartilhas do “verdadeiro ou falso” torcedor.

Nós mudamos, o futebol mudou, mas o significado de “torcer” não pode mudar. Ainda podemos falar palavrões, chorar de alegria (ou tristeza), abraçar o outro na hora do gol, fazer música em homenagem à mãe do juiz, fazer “uhhhhh” em lances perigosos, levantar pra ver uma jogada melhor, apoiar e dar “puxões de orelha”… E se você se incomoda tanto com as regras novas vai deixar de torcer por causa disso? Eu pulo, xingo, grito, canto… Mesmo que ninguém ao meu lado faça o mesmo ou faça diferente. Será que por estar sentada, não podemos cantar? Perdemos a força pra pular na hora do gol? Só porque o camarada teve que sentar longe, não tem como torcer pelo time em campo? Vou ao campo pra ver o Cruzeiro. Se uma música acaba por ninguém acompanhar, daqui a pouco começa outra que pode dar certo. Já o jogo, não tem como reiniciar.

Eu quero que tenha torcida no campo, não avaliadores de comportamento alheio ou do tropeiro que comemos ou do lugar que sentamos. Não quero “antis” ou os “a favor”, quero torcedor.

Nota*: Para efeitos de comparação, o salário mínimo em 2003 era R$ 240,00 quando o menor valor do ingresso era R$ 5,00, em 2013 estamos com o valor de R$ 678,00 do salário mínimo e com o menor valor sendo R$ 30,00 do ingresso, 6x maior. E tudo aqui é o meu ponto de vista. =D

Luciana Bois

Quarteto de oito.

Lá se foi a estreia do quarteto-fantástico do Cruzeiro de 2013. Boa estreia, bons gols, bom jogo. Maaas… dificilmente teremos a repetição desse quarteto já pra esse domingo e para muitos jogos durante o ano.

WayClaro que gostaria que, de tão certo, fossem intocáveis. Mas essa não é a realidade pelo atual histórico destes jogadores.

Borges já é duvida por ter sentido a coxa. Constantemente Dagoberto faz um trabalho a parte com o preparador físico e essa semana foi a vez do Diego Souza ter sua parte física em observação.

Salvo fica Everton Ribeiro, com apresentações regulares e presente em todos os jogos do ano, mas que se diz mais confortável jogando como armador – posição cativa de Diego Souza, não caindo pelos lados como é colocado pelo Marcelo Oliveira, mas que mesmo assim vai indo bem.

Quando temos um desfalque no quarteto, o banco aguenta firme: Élber, Vinicius Araújo e Alisson tem dado conta do recado. E acho que, provavelmente, Ricardo Goulart também aguentaria.

Muito se discute que as mudanças do Marcelo Oliveira, mesmo sendo no Campeonato Mineiro, podem afetar a evolução e o entrosamento para esse grupo. Eu já vejo de forma diferente…

A constante alteração da parte ofensiva do Cruzeiro pode também aumentar o entrosamento com o elenco dos suplentes, podendo alterar a dinâmica do jogo, mas sem comprometer a qualidade do time. Fato que é de suma importância para os diversos adversários e cenários que podemos enfrentar.

Com estes suplentes sendo sempre acionados, tanto para substituir os titulares antes ou durante os jogos, o Cruzeiro não se torna um time que se pode prever ao assistir a “fita”. Nem é um daqueles times que se diz “com o Dagoberto sem condições de jogo, teremos maior facilidade…”.

Depois de alguns anos acostumando com um jogador chamando atenção no meio campo – Montillo – ou apenas uma referência no ataque – talvez o último tenha sido Kleber, ter um elenco que se possa dizer “se o Élber entrar, a velocidade pelo lado direito pode beneficiar o time com as inversões com tal jogador” é de se exaltar. Se a torcida já pode “prever” o que acontecerá em um jogo com certa alteração, acho provável que os jogadores saibam já como portar a cada situação.

Apesar das reclamações das constantes alterações, a torcida já sabe como fica o jogo com os “suplentes” em campo. E creio que os jogadores também.

Não temos um “quarteto mágico”, mas um “quarteto de oito” que pode ser mágico.

* Parabenizo aqui a comissão técnica. Gosto do trabalho que estão fazendo com os jogadores que vinham de contusão ou cirurgia, no casos do Henrique, Léo, Borges, Lucca ou como o Diego Souza e Dagoberto, que estava muito tempo sem jogar. Atenção especial pra cada um, tanto com nutricionista quanto com os preparadores físicos. Levam com zelo a frase: “não passar o carro na frente dos bois”. Dê tempo ao tempo e colheremos tudo em dobro.

Luciana Bois

Marcelo Oliveira: bom senso no comando.

Futebol é engraçado, né? Quando não tem elenco é complicado e quando se tem um bom elenco também é complicado.

Muitos reforços para 2013 - Foto: Washington Alves | Vipcomm

Muitos reforços para 2013 – Foto: Washington Alves | Vipcomm

Não é só esse começo do ano, mas todo o elenco do Cruzeiro tem um histórico de contusões bem grande… inclusive bons jogadores: Martinuccio, Borges, Dagoberto, Henrique (nos dois últimos anos), Victorino, Leo… e por ai vai. Os chinelinhos também.. (melhor não citar).

E ainda há os que gostam de cartão, como o Guerreiro, o Anselmo Ramon e por ai vai…

O Marcelo tem cara de ser um técnico que não dá regalias por causa de nome. Desde já, a escolha do Marcelo Oliveira se baseia em “quem está melhor e tem condições que vai a campo”.

Foto: Washington Alvez | Vipcomm

Foto: Washington Alvez | Vipcomm

Pelo andar da carruagem no futebol, será fácil todos terem oportunidade. E isso é bom até pra aumentar o rendimento dos próprios jogadores. Por exemplo: a zaga não teve reforço de peso, mas nos coletivos eles não enfrentam um WP, mas Borges, Luan, Vinicius Araújo – que vão querer mostrar serviço… Já nos treinos, eles (nessa situação: a zaga e os atacantes) são obrigados a melhorar bem a qualidade!

Neste sábado, o garoto Vinicius Araújo nem sabia se seria relacionado e muito menos se entraria em campo. Soube aproveitar a oportunidade que teve ao substituir o Anselmo Ramon, que havia machucado logo no primeiro tempo. Marcou gol, deu assistência e foi fundamental. Um jogo oficial bastou pra aumentar a dúvida pro Marcelo Oliveira.

No inicio do ano, entrei em um debate sobre o aproveitamento dos garotos da base. Defendia que não precisava de regalias para que pudessem ser aproveitados e deveriam ser observados de igual para igual, assim como todo o elenco. A oportunidade iria aparecer e bastava para eles saber como aproveitar.

Como foi para Vinicius Araújo e para Élber, que entrou pra desafogar o lado direito e tirar a falta de ritmo do medalhão Diego Souza de campo, grandes jogadores conseguiram as oportunidades em jogos assim contra uma Tombense da vida.

Vinicius Araújo e Élber - Foto: Alexandre Guzanche | EM

Vinicius Araújo e Élber – Foto: Alexandre Guzanche | EM

Em entrevista*, Tostão relata:

“O Cruzeiro tinha contratado Hilton Chaves, Brandãozinho e Fiapo, para montar o meio-de-campo para a temporada de 64. Eu e o Piazza éramos reservas e tínhamos poucas chances. Cheguei a estrear num jogo à noite no Barro Preto, mas ficou nisso. Sem uma sequência de jogos não dava para ganhar uma sequência no time. Mas os titulares foram sofrendo contusões, e eu e o Piazza entramos [...].”

Com o Cruzeiro dos últimos anos não deveria ser diferente e o técnico Marcelo Oliveira deu seu recado em suas primeiras entrevistas deste ano: “entra quem estiver melhor”. De fato, é o que vem acontecendo, tanto para medalhões quanto para os oriundos da base.

Borges não tinha condições plenas pra jogo. Pra quê colocar o moço se ele ainda está 80%? Pra diminuir para os 60% e demorar um pouco mais pra se recuperar?

Estamos no campeonato mineiro… tempo para descobrir, entrosar e arrumar o time para campeonatos melhores e fases mais decisivas. É bom ver que o Anselmo Ramon, apesar dos “2” gols marcados em três jogos, sente medo de perder seu lugar no time. Fato que relata o contrário de quando havíamos o Wellington Paulista como camisa 9.

Outro caso relevante para esse início de temporada é a falsa sensação que goleadas trazem. Prefiro ganhar apertado jogando bisonhamente agora para corrigir os erros do que golear mascarando o que tem de errado e perder bisonhamente depois, assim como o Marcelo Oliveira disse em entrevista.

As entrevistas do Marcelo Oliveira estão sempre sensatas e de acordo com o que se espera do “professor”. Se mantiver a postura no que diz e no que faz, ele saberá conduzir esse bom elenco para o resto da temporada, e o que hoje é visto como “problema” terá uma boa solução.

*Entrevista retirada do livro “Página Heroicas – Onde a Imagem do Cruzeiro Resplandece”, 2003, DE Jorge Santana.

Luciana Bois

Quem precisa aprender com o empate contra o Guarani?

Goleiro Leandro | Foto: Juarez Rodriguez – EM Para início de temporada, sou muito mais um jogo como foi o empate contra o Guarani do que a vitória contra o América-TO.

Ontem o Guarani encarou o Cruzeiro sabendo da inferioridade técnica, então se encaixaram no tático. Todos defendiam e marcavam durante o ataque do Cruzeiro, mas quando pegavam a bola, TODOS se reposicionavam para o ataque e tinham postura pra atacar. Barravam na defesa do Cruzeiro e ponto.

(Goleiro Leandro | Foto: Juarez Rodriguez – EM)

Esse é o futebol. Não achei vexame nenhum e não vi falta de vontade mesmo! Todos correram e lutaram, tendo dificuldades que o galinho e o América-TO não colocaram contra o Cruzeiro.

Quando estavam na defesa, todos ficavam atrás da linha da bola e de um a três jogadores iam combater um celeste. Bastava um jogador do Guarani pegar a bola que todos abriam o jogo com rapidez, já em busca do gol. Méritos do técnico e da obediência tática do Guarani. Mas aí então entrava em ação a marcação celeste, que não os deixavam passar. Méritos do pessoal do meio e lá de trás (ai pra mim se destacaram Nilton e os zagueiros – inclusive o Paulão, que a cada hora estava em um canto do campo).

O Cruzeiro não ganhou porque o Guarani não deixou, principalmente o goleiro Leandro que fechou o gol. Futebol é assim. Mas e se a bola entrasse naquela cabeçada do Diego Souza? Ele seria “soneca” e “apático”, além do que seria “vexame” pelo empate contra o Guarani?

Agora é tirar proveito do jogo de ontem e arrumar o que tem que arrumar. Talvez reposicionar o ataque, deixar que o pessoal do meio pense um pouco mais pra planejar as jogadas (fiquem menos afobados) e fazer uma oração para que o próximo goleiro não jogue tão bem quanto o Leandro jogou.

Mas além de aprender “o que o Cruzeiro precisa”, tivemos outra lição nessa noite.

É óbvio, mas vamos à verdade: futebol se joga com dois times, ta-dá! Sim, é verdade! Da mesma forma que um quer ganhar, o outro também. Esse é o futebol! (Eu disse que era óbvio.. mas sério que tem gente que esquece!)

Ontem tivemos futebol. Aquele que vive no Brasil de Friedenreich aos Ronaldos. Torcida, campo, campeonato…

Foto: Lucas Bois

Foto: Lucas Bois

Foto: Lucas Bois

Tem dia que se perde, tem dia que se ganha, mas é assim mesmo… as vezes até rola um empate. Isso não é conformar, mas é reconhecer. São 22 em campo e dois gols, metade pra lá e metade pra cá… e por trás muita comissão técnica e táticas, que vem a habilidade, o dom e por ai vai.

Talvez a internet tenha acabado com a percepção nos jogos. Talvez, quando olhavamos pro Twitter ou pro Facebook, perdemos as divididas que o Everton Ribeiro deu, as defesas do Leandro, a troca de passes e bela jogada do Everton com o Dagoberto, a vontade do Guarani, as bolas que o Paulão conseguia se antecipar, o passe de letra que o Guerreiro deu, a briga do Diego Souza para se entrosar e as jogadas individuais que a necessidade por sair da marcação exigia…

Talvez as pessoas se preocupem mais em divulgar sua opinião do que de fato saber opinar. Não… não os condeno, até faço isso ás vezes, peço desculpas por tal. Mas aprendemos que a análise de um jogo não deve ser feita durante o tempo que digitamos 140 caracteres ou vendo apenas os melhores momentos.

É futebol, né?!

@LucianaBois